Mulheres na Indústria

Façamos valer nossos direitos na sociedade

Por que ainda acontecem muitos casos de violência em nossa cidade, mesmo depois da aprovação da Lei Maria da Penha, que é mais rigorosa para com os agressores? Qual a origem de tanta violência? Nesta edição especial do Linha de Montagem, dedicado às mulheres na passagem do 8 de Março – Dia Internacional das Mulheres-, queremos levantar alguns temas para iniciar várias discussões e chamar todas as trabalhadoras a somar conosco na luta pela superação de todos os graves problemas que nos afligem.

Flores, presentes, objetos de puro consumo. É assim que o capital tenta seduzir as mulheres nesta época do ano – tanto quanto em outros momentos que deveriam ser para refletir sobre nossa realidade e intervir para mudá-la.

O Dia Internacional da Mulher não pode se reduzir a esse tipo de sedução machista e capitalista. Sua inspiração tem de ser resgatada para fazer justiça ao sacrifício de milhares de mulheres mortas injustamente por se levantarem contra as desigualdades, contra o preconceitos e a discriminação, contra tudo que reduz as mulheres e homens da classe trabalhadora a multiplicadores da riqueza e participantes de um mundo de pobreza e exclusão social, econômica e política.

O Dia Internacional da Mulher surgiu para se tornar um marco na luta contra a exploração capitalista em memória de centenas de operárias mortas em 1857 durante um incêndio criminoso numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, Estados Unidos.

Não podemos, portanto, nos deixar seduzir pelo Capital em cima da memória daquelas que foram assassinadas por ele. Conhecer a origem da violência é a primeira forma de nos libertarmos dela.

CONTRA TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA

Existem vários tipos de violência. Algumas deixam marcas no corpo, outros afetam a mulher de forma mais profunda, deixando marcas mais difíceis de desaparecer. A violência não se reduz á agressão física: ela pode ser psicológica, contra o patrimônio e de outras maneiras, tanto em casa quanto no trabalho. Assédio sexual, por exemplo. é uma forma de violência. Assédio moral, também. ´E Contra todas essas formas de violência que nos manifestamos neste Dia Internacional da Mulher.

De acordo com Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República,  em 2011 as queixas de violência doméstica contra a mulher, aumentaram em 112% de janeiro a julho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram obtidos pelo registro de ligações ao número 180 criado  em 2005 pelo Governo Federal.

A mesma fonte revela que a  busca por informações sobre a Lei Maria da Penha (lei 13.340/2006) corresponde a 50% do total de informações prestadas pelo Ligue 180.

As vítimas –  A maioria das mulheres atendidas têm entre 25 e 50 anos (67,3%) e nível fundamental de escolaridade (48,3%). Nas queixas, a maioria apontou que os agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e também Nível Fundamental de escolaridade (55,3%).

Violência no Trabalho – Informações obtidas por diretores do Sindicato dos Metalúrgicos mostram que existem muitos casos de assédio sexual e moral nas fábricas do Pólo Industrial de Manaus – PIM. A maioria, porém, não vem a público pelo medo que as vítimas revelam de perder o emprego ou sofrer ainda mais perseguições.

Texto: J.Rosha
Foto: Sindicato dos Metalúrgicos