Valdemir Santana defendeu a redução da jornada e criticou o avanço das atividades repetitivas nas fábricas
O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas participou nesta sexta-feira (23) do debate nacional sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1. O encontro, realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, discutiu a realidade enfrentada diariamente pelos trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM).
A audiência foi conduzida pelo deputado federal Saullo Vianna, membro titular da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a matéria, e contou com a presença do relator da PEC, o deputado federal Léo Prates, além de lideranças sindicais, empresários e representantes do setor produtivo.
A diretoria do sindicato acompanhou a mobilização em defesa da redução da jornada para 40 horas semanais. A pauta ganhou força nacionalmente diante do aumento expressivo dos casos de adoecimento físico e mental relacionados às rotinas exaustivas e à velocidade das linhas de montagem.
Representando os trabalhadores da indústria amazonense, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e dirigente da CUT-AM, Valdemir Santana, detalhou o impacto prático dessa aceleração nas fábricas.
“Em 1988, uma moto era produzida entre 92 e 100 segundos. Hoje, é feita entre 15 e 18 segundos. Uma TV levava quase dois minutos para ser montada; hoje, um aparelho de 50 polegadas sai em quatro segundos”, comparou.
Segundo ele, o ritmo imposto pelas atividades altamente repetitivas causa doenças ocupacionais, afasta trabalhadores das linhas de produção e, em muitos casos, impede o retorno às atividades.
Para o dirigente, a eficiência e o avanço tecnológico não justificam o desgaste humano, e a conta desse adoecimento acaba recaindo sobre o poder público e a sociedade.
“No ano passado, mais de 500 mil pessoas se afastaram por doenças ocupacionais e mentais no país. Quem paga isso é a sociedade, pois a conta vai direto para o INSS. Temos que produzir e ter eficiência, mas sem causar doenças aos trabalhadores”, afirmou.
Durante o debate, Valdemir fez um apelo aos parlamentares para a criação de um sistema de fiscalização que inclua de forma mais efetiva a atuação dos sindicatos dentro das fábricas.
Ele afirmou que medidas adotadas pelo penúltimo governo federal enfraqueceram a estrutura do Ministério do Trabalho e agravaram o déficit de auditores fiscais no país.
“Não há auditores suficientes para fiscalizar. Por isso, toda a direção do sindicato precisa ter prerrogativa para ajudar nesse processo e acompanhar de perto essas condições nas fábricas”, declarou.
O sindicalista também abordou o tema sob a ótica econômica e criticou a resistência de parte do setor patronal à redução da jornada.
Ele lembrou que o trabalhador brasileiro está entre os mais produtivos do mundo, em um país líder global na produção de grãos, carne e outros produtos, mas que ainda convive com uma jornada considerada ultrapassada diante da realidade atual da indústria.
“Somos o único país da América Latina que ainda trabalha 44 horas semanais. Isso é vergonhoso”, afirmou.
Santana também citou a desigualdade salarial enfrentada pela classe trabalhadora. Com base em levantamentos sobre o custo de vida no país, ele afirmou que uma família de quatro pessoas precisaria de uma renda superior a R$ 6 mil para viver com dignidade.
“Hoje, para um trabalhador que ganha salário mínimo chegar ao vencimento mensal de um deputado federal, ele precisa trabalhar dois anos e sete meses. A redução da jornada é uma questão de justiça e saúde”, declarou.
Assessoria de Comunicação – Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas