Cerca de 20 mil empregos diretos podem ser extintos nos próximos meses se outras empresas se retirarem do Polo Industrial de Manaus. Recentemente, a Sony anunciou o encerramento de suas atividades depois de 40 anos na Zona Franca de Manaus, somando-se a outras como Philips, Lenovo e Nokia.

Esse prognóstico revela uma das vulnerabilidades do modelo Zona Franca nesse período de recessão e impõe a necessidade de união de todos os segmentos da sociedade amazonense em torno de um projeto que incentive a instalação de novas indústrias e, consequentemente, a ampliação da oferta de vagas. Essa iniciativa é defendida pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valdemir Santana.

“Sempre que a ZFM sofreu ameaças nós apelamos para a classe empresarial e para os políticos do Estado para agir em defesa dos empregos da perspectiva de melhorias para a população regional”, destaca Valdemir Santana.

Desta vez não será diferente, diz ele, enumerando várias ações em conjunto nos governos de José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, quando “lobbies” de empresas do sudeste do Brasil tentaram, por meio de mudanças na legislação, inviabilizar o parque industrial de Manaus.

Santana destaca que as ameaças sobre os empregos do PIM estão muito além da ação de lobistas de outros estados. Elas dizem respeito às mudanças que ocorrem na economia em escala global e que precisam ser bem entendidas pelos governantes para a formulação de políticas que retomem o crescimento da economia.

“No período atual a classe política tem uma responsabilidade redobrada com a estabilidade social e, por conseguinte, pelo direcionamento da economia. As mudanças não estão acontecendo apenas pela vontade e pela força do mercado, mas também no âmbito do Congresso Nacional, onde temos oito deputados federais e três senadores”, diz Santana.

“Essa situação está mostrando que precisamos nos unir: trabalhadores, empresários, deputados, senadores, governadores e prefeitos”, defende Valdemir Santana. “Chegamos a um ponto em que todos temos que defender o modelo Zona Franca e voltar a discutir um modelo que incentive a transformação de produtos regionais de olho em um mercado cada vez mais interessado nas nossas potencialidades”, diz Santana.

Segundo ele, defender o modelo Zona Franca é fundamental para a preservação da Amazônia num momento em que os olhos de todo o mundo se voltam para a questão ambiental no Brasil. O Amazonas é o estado com menor índice de desmatamento até o  momento graças às indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus. “Se não cuidarmos desse patrimônio nos próximos 30 anos vai sobrar muito pouco de toda a floresta amazônica”, diz ele acrescentando que essa projeção é feita por institutos de pesquisa.

J.Rosha

Manaus (AM), 24 de setembro de 2020.