O presidente do Sintracomec-AM, Cícero Custódio foi um dos detidos por incitação a violência, já que teria ameaçado incendiar a sede de governo – foto: Josemar Antunes
Josemar Antunes

Cerca de 11 pessoas ficaram feridas e quatro foram presas, durante o protesto, nesta terça-feira, (11), dos trabalhadores da Erin Estaleiros Rio Negro. Entre os presos e feridos, estavam o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil no Amazonas (Sintracomec-AM), Cícero Custódio, conhecido como ‘Sassá’ e o dirigente sindical do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), João Brandão, que foram levadas ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

Ah78VLCdOF8SjMILpxYnOmDesoqRGy3blYmRfjSiFL4yO presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana, esteve no local para iniciar as negociações e lamentou a ação da força policial contra os trabalhadores. “É inadmissível essa força policial contra os trabalhadores que foram tratados como bandidos. Os trabalhadores só estão reivindicando os direitos trabalhistas”, disse Santana.

Acordo

20160112053053Valdemir Santana, os dirigentes sindicais Edvaldo de Souza, Raimundo Sidney e o advogado do Sindmetal-AM Dr. Kenedy foram atendidos pelo administrativo do Estaleiro Erin para uma negociação. Segundo o presidente do Sindmetal-AM, um acordo foi feito e assinado entre o sindicato, o estaleiro e os trabalhadores onde ficou garantindo que:

1º – A Erin fará o pagamento dos salários atrasados até terça-feira (19) na conta corrente do trabalhador;

2º – Os trabalhadores ficarão de licença remunerada até sexta-feira (15), ou seja, não irão trabalhar nesses dias, mas irão receber normalmente sem qualquer desconto;

3º – A Erin dará uma cesta básica aos trabalhadores nesta quarta-feira (13).

Santana declarou que caso o acordo não seja cumprido pela Erin, o Sindmetal-AM irá apoiar os trabalhadores com greve.

Sobre o protesto

Os trabalhadores fizeram um protesto por salários atrasados desde novembro do ano passado e o não pagamento dos 60% restante. A polícia agiu com rigor com bombas de efeito moral (gás lacrimogênio) e balas de borracha para dispersar os manifestantes.

Além disso, eles reclamam das péssimas condições de trabalho, e das atividades que são exercidas de forma ‘escrava’. Outro problema mencionado pelo grupo, é a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e alimentação adequada.

“A direção da empresa só fala em previsão, mas não dá uma resposta concreta o que dia que vai pagar os funcionários. Já estamos cansados de tanta espera, pois, muitos dos trabalhadores estão passando necessidade”, disse Paulo Santiago, de 40 anos.

Ao todo, 800 funcionários trabalham na empresa que está localizada na rua T4, bairro Compensa, Zona Oeste. Além das péssimas condições, os funcionários citam desvio de funções e acidentes graves com os trabalhadores que a empresa abafa. Segundo eles, denúncias foram formalizadas no Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), que chegou a aplicar multa, mas nunca interviu de fato o problema.

Texto produzido com informações do Correio da Amazônia