A falta de decisão do Conselho de Administração da Suframa (CAS), sobre o Processo Produtivo Básico (PPB), que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto, termina por desempregar e prejudicar milhares de trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Na semana passada a Philco demitiu mais de 600 funcionários e a Central Única dos Trabalhadores (CUT-AM), apontou a Suframa como culpada pela perda dos postos de trabalho no Distrito Industrial, no Amazonas.

O presidente da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, foi o primeiro a questionar a falha, dizendo que o órgão federal não aprovou projetos que seguraria e ampliaria o número de trabalhadores na unidade fabril da Philco em Manaus.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos tem dito que as discussões no órgão regulador do PPB, são feitas unicamente para cumprir o processo burocrático, sem no entanto, definir pontos básicos, que é a nacionalização dos produtos, sem a importação de manufaturados chineses, que hoje virou regra nas decisões do CAS.

 

Gerar empregos no Brasil

Entusiasta do desenvolvimento da produção nacional, para abastecer as indústrias da ZFM, o sindicalista Valdemir Santana diz que o governo precisa gerar empregos no Brasil, não na China, acrescentando que as decisões para a liberação de projetos para a indústria local, está ao nível quase Zero.

O descaso com a Philco, vem se alastrando por quase todas as indústrias do PIM. Nesse governo de Jair Messias Bolsonaro, a Suframa não tem aprovado projetos das indústrias de forma satisfatória e, em consequência, está prejudicando a manutenção e a geração de novos empregos.

 

Culpa da Suframa

Os próprios diretores das indústrias estão apontando a Suframa como ‘culpada’ pelas mais de 2.000 demissões de trabalhadores às vésperas do Natal.

Para o sindicalista Valdemir Santana, todos sabem que a discussão do Processo Produtivo Básico deve passar também pela sugestão de quem produz, de quem tem o conhecimento empírico da Zona Franca de Manaus, mas a Superintendência da Suframa não tem observado isso. “Pelo contrário, tem evitado a aproximação e opinião do Sindicato laboral e dos trabalhadores”, aponta ele.

A direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AM), já enviou uns 10 ofícios à Suframa, informando que a Central representa mais de 80% das categorias de trabalhadores no Estado e, que deve ser ouvida quando forem apresentados os PPBs para aprovação, mas receberam o silêncio como resposta.

Valdemir vê como proposital a decisão de esvaziamento dos PPBs nas indústrias do PIM, e que vai levar para discussão a política de incentivo fiscal, que hoje é incentivo pelo incentivo, sem levar em questão a geração de empregos.

“Queremos discutir a política industrial no Amazonas, para quem tem incentivo fiscal. Não se deve dar incentivo para quem está demitindo. Tem indústria que fatura U$ 5 Bilhões e mantém apenas 126 postos de trabalho. É uma questão que tem que ser revista”, finaliza.

 

Fonte: Correio da Amazônia