Em meados dos anos 70 surgiu o Movimento Custo de Vida (MCV), popularmente conhecido como movimento contra a carestia. O MCV surgiu como consequência da gestão da economia pelo Governo Militar, que deixou de saldo uma inflação altíssima, controlada somente nos anos 90, quase dez anos após a queda do regime ditatorial iniciado em 1964.

No Brasil de Bolsonaro eis que ela surge com toda sua voracidade: a inflação. E um dos sinais do pouco valor do nosso suado salário é a nota de 200 reais. Faz parte do espetáculo de horrores que o presidente da república costuma proporcionar – ele, que nada entende de economia, juntamente com um ministro de economia que aprendeu nas catedrais do neoliberalismo todas as técnicas de tortura sobre a classe trabalhadora.

O preço do arroz, do feijão, da carne e de outros gêneros de primeira necessidade são frutos desse desgoverno. Não é só da vontade dos comerciantes de ganhar dinheiro: é resultado de uma economia que não cresce, de recessão com a queda de 9,7% do Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego e política de achatamento do salário mínimo. Porém, os especialistas em mídia do governo jogam a culpa nos supermercados para desviar a atenção da sua incompetência ou de uma política voluntária de desestabilização social.

A cena mais eloquente do desgoverno do Brasil veio de São Paulo, onde moradores atacaram um caminhão que transportava carne. Cenas do tipo eram vistas no tempo da ditadura, época em que os militares reprimiam tudo e não resolviam nada. A diferença é que hoje não existe uma ditadura explícita, mas é um governo loteado por militares.

Não deve demorar muito para ressurgir com força o movimento contra a carestia.

 

  1. Rosha