Acordo de Paz

O cessar-fogo entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que iniciou nesta segunda-feira (29) deve resultar em impulso às comercializações estrangeiras a partir da produção gerada pelo Polo Industrial de Manaus (PIM). Fabricantes instaladas no Estado demonstram interesse em enviar produtos à Colômbia, procura que se tornou mais intensa há pelo menos dois meses, quando o acordo bilateral entre a Colômbia e a guerrilha foi assinado, o que desencadeou o tão esperado ‘pacto’ de paz.

Segundo a Secex, a Colômbia é o terceiro maior comprador externo do Amazonas, atrás da Argentina e Venezuela. De janeiro a julho deste ano, as empresas instaladas no Estado negociaram àquele país US$ 56,4 milhões, um crescimento de 19,10% em relação a igual período de 2015, quando foram negociados US$ 47,4 milhões.

O gerente executivo do Centro Internacional de Negócios da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (CINFieam), José Marcelo Lima, comenta que desde junho deste ano, quando o acordo bilateral foi assinado entre o país estrangeiro e as Farc, houve maior procura por parte dos empresários com o interesse de enviar produtos fabricados no Amazonas à Colômbia. O atrativo comercial resultou na elaboração de estudos voltados ao detalhamento da economia e do comércio colombiano para que os empresários locais conheçam aquele mercado e verifiquem a melhor forma de estreitar as relações comerciais.

“Já registramos um aquecimento no interesse às exportações para a Colômbia. Temos recebido empresas interessadas em exportar seus produtos, fato que nos levou a desenvolver estudos com o intuito de conhecer melhor o comércio e a economia daquele país. Precisamos saber o que eles importam, de onde compram, qual a quantidade. As exportações destinadas à Colômbia e à Venezuela acontecem, principalmente, por meio da BR-174 demandada”, disse Lima.

Conforme o gerente, o Amazonas deverá exportar cosméticos, produtos regionais, concentrados para bebidas, além dos produtos do segmento de duas rodas, eletroeletrônicos e bens de informática como por exemplo, tablets. Ele avalia que antes da oficialização do acordo de paz, há cerca de um ano e meio, o governo colombiano apresentava um cenário pretenso à estabilização econômica, o que segundo o empresário, foi fortalecido com o cessar-fogo.

“As coisas tendem a melhorar significativamente. Temos tido resultados favoráveis com as empresas que estão animadas para exportar sua produção. O mercado favorável existe e está em pleno crescimento. Tanto a economia da Colômbia quanto a do Peru estão estabilizadas”, avaliou. De acordo com Lima, o consenso resultará em maior segurança ao transporte de produtos que saem do Amazonas em direção à Colômbia e à Venezuela.

Ele explica que as exportações para os países vizinhos acontecem por meio da BR-174 e que a atuação das Farc, até então na área de fronteira entre Colômbia e Venezuela, deixará de representar insegurança. “O cessar-fogo será benéfico a todos os países, ao governo brasileiro, ao colombiano e ao venezuelano. O consenso representará um melhor relacionamento entre os países e principalmente a segurança, que é um fator fundamental no transporte rodoviário. O problema estava na passagem pela fronteira”, destacou.

O término dos conflitos é considerado como um marco na história da Colômbia. Os entraves entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro perduraram durante 52 anos. A disputa deixou em média 7 milhões de vítimas e cerca de 260 mil mortos. O cessar-fogo é fruto do acordo de paz assinado em Havana, capital de Cuba, no último dia 24, acordo que passou a vigorar à zero hora de segunda-feira (29).

Fonte: Jornal do Commercio