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O escoamento de grãos por meio de uma rota que inicia no porto de Miritituba, no município de Itaituba, e, segue até Barcarena, no Estado do Pará, trecho que compreende o Arco Norte, continua impulsionando a produção naval amazonense. Segundo o Sindnaval-AM (Sindicato da Indústria da Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas), boa parte dos pedidos recebidos pelas empresas da capital devem atender ao transporte de grãos. O sindicato afirma que neste ano houve redução no volume de demandas de embarcações, mas mesmo assim, o setor prevê encerrar o ano com crescimento estimado entre 10% e 12% em relação ao faturamento contabilizado em 2015.

De acordo com o presidente do Sindnaval-AM, Matheus Araújo, o setor naval, assim como os demais segmentos brasileiros, foi atingido pela crise econômica. Ele explica que o volume produtivo registrado neste ano é inferior ao obtido no mesmo período do último ano e adiantou que mesmo assim a estimativa é de que o setor encerre o ano com crescimento que pode chegar a até 12% em comparação ao faturamento de 2015.

“Estamos reagindo bem, mesmo em meio às dificuldades econômicas. Não estamos produzindo o volume que deveríamos, mas estamos mantendo a média. Os contratos atendem às construções de embarcações para o transporte de grãos por meio do Arco Norte, construção de navios para transportar cargas e também passageiros”, disse Araújo.
O diretor administrativo do estaleiro Erin (Estaleiro Rio Negro Ltda.), Bruno Xavier, relata que os contratos recebidos pela empresa vão atender às rotas do Arco Norte (escoamento de grãos pelos portos do Amazonas, Bahia, Maranhão e Pará).

Segundo ele, atualmente o estaleiro trabalha na construção de 16 barcaças e sete empurradores que devem ser entregues até 2017.

Porém, Xavier comenta que por dificuldades de acesso a constituições de garantias financeiras a empresa perdeu novos contratos. Até este mês, a empresa contabilizou redução de 40% no volume de contratos em comparação a igual período de 2015.
“A demanda é grande. Porém, há dificuldades para acesso à garantia exigida pelos clientes. Muitos estaleiros fecharam as portas na região Sudeste o que fez com que as seguradoras colocassem restrições para a liberação de seguros, garantias e isso dificulta a viabilização de projetos.

A liberação de financiamentos acontece em processos mais lentos e criteriosos”, relata. “Buscamos parcerias com fundos de investimentos para atender aos clientes”, completa.

Sindicato tenta revitalizar setor

Segundo o Sindnaval, no município de Novo Airão, as dificuldades estão mais expressivas por conta da dificuldade no acesso à madeira extraída de forma legal, ou seja, certificada. Matheus Araújo explica que por falta da matéria-prima, utilizada no processo de fabricação das embarcações, sete estaleiros e mais seis ‘carreiras’ de reparos de embarcações estão com as atividades paralisadas. A indústria, no município, emprega 1,5 mil pessoas.

O setor fatura anualmente cerca de R$10 milhões e neste ano Araújo afirma que esse resultado deve chegar a apenas R$2,5 milhões.

“Estamos em busca da revitalização do setor no município por meio de acordos com o governo do Estado. Os estaleiros precisam da madeira para construir e os profissionais também podem atuar no segmento moveleiro. Criamos uma representação do sindicato no município que viabilize os pleitos junto ao governo”, comentou.

Fonte: Jornal do Commercio