Já faz mais de cinco anos, que os trabalhadores do Pólo Industrial de Manaus (PIM), vêem discutindo a necessidade de se estabelecer cotas para trabalhadores estrangeiros atuarem, em caráter não permanente, nas indústrias locais. Não é nenhuma medida discriminativa, tanto é que anualmente aceitamos a vinda de profissionais especializados para que eles implantem sistemas ou que aprendam a nossa metodologia de trabalho, mas no máximo 0,5% dessas atividades são aceitas por nós, no setor industrial. Esse número é visto como não prejudicial à contratação dos trabalhadores do Amazonas.

Da mesma forma vimos forçando as empresas evitarem a terceirização da mão de obra, porque ela não garante os mesmos benefícios dados aos trabalhadores contratados de forma direta. Essa é uma luta da Central Única dos Trabalhadores – CUT, juntamente com o Sindicato dos Metalúrgicos, por entendermos ser essa prática um drible da empresa à convenção coletiva da categoria e à luta pelo suado piso salarial dos metalúrgicos.

O Sindicato dos Metalúrgicos se empenha em antecipar às artimanhas empresariais, que em nome de uma suposta comodidade logística, terminam por convencer as autoridades, a necessidade de transferirem para outros estados os seus setores administrativos, contábeis, financeiros. O Sindicato dos Metalúrgicos vem trabalhando junto a parlamentares e autoridades do governo estadual, a obrigatoriedade desses setores atuarem na mesma área onde funciona a sua linha de montagem. Assim poderemos acabar com essa “brincadeira de mau gosto”, de retirar de nosso parque industrial os postos de trabalho suadamente conquistados.

Nossa metodologia é de enfrentamento, mas zelamos também pela linha negocial, da conciliação, da articulação política sindical para atingirmos nossa meta. É assim que vimos conquistando, cada vez mais, espaço nas mesas de negociações. Com isso, podemos empreender projetos importantes para o trabalhador, assim como, convencer os empresários a necessidade de reabrir o Centro de Comércio e Indústria da Zona Franca – CECOMIZ. Ele foi criado como vitrine de exposição e vendas dos produtos da ZFM a preços convidativos.

Também estamos lutando para que as empresas vendam a preços de fábrica e sem limites pré estabelecidos, os produtos produzidos por ela, a seus funcionários, em lojas próprias. Não tem porque ser ao contrário. Não somos diferentes dos outros trabalhadores do Brasil. Podemos ser melhores, não o outro lado da moeda furada.

Daí a exigência dos metalúrgicos feita aos políticos do Amazonas. Eles são os responsáveis pela pecha de povo provinciano, que nos persegue a anos e, de nos colocar sob o risco de sermos dissolvidos dentro desse processo. Não aceitaremos mais essa situação de província imposta a nós amazonenses, sob pena de darmos uma resposta política a essa inconsciência social atribuída aos parlamentares.

Valdemir Santana
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas