O presidente do Sindicatos dos Metalúrgicos e da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas, Valdemir Santana, espera que a ‘canetada Bic’ do presidente Jair Bolsonaro, no Decreto nº 10.979, para reduzir em 25% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), publicado na sexta (25) em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), consiga fazer com a que a classe política e administrativa do Estado se junte, em definitivo, para evitar estes ataques à Zona Franca de Manaus (ZFM).

Embora o presidente não tenha citado especificamente a Zona Franca de Manaus (ZFM), ainda assim, ela sela o fim dos empregos no Polo Industrial de Manaus (PIM), ao permitir que mais de 40% dos componentes industrial que eram fabricados no Brasil, sejam importados, levando as grandes indústrias a comprar lá fora o que era produzido aqui.

Presidente dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, na portas das indústrias para assegurar empregos e direitos – foto: recorte

O significado desse Decreto presidencial, segundo o sindicalista, é a perda de milhares de postos de trabalho, diretos e indiretos, e o fechamento de pequenas e médias fornecedoras de componentes para as indústrias do Amazonas.

O problema não é recente

“A importação de peças, componentes e insumos é um processo que vinha acontecendo gradativamente, a muito tempo”, destaca Valdemir. De acordo com ele, as indústrias do PIM, como a Moto Honda, Samsung, LG por exemplo, aumentaram os seus faturamentos em bilhões de Dólares e, ao mesmo tempo, já vinham reduzindo o número de trabalhadores em suas linhas de produção sem que as autoridades dessem conta disso.

 

Sem surpresa

O sindicalista diz que não existe surpresa em relação a isso, o governo Bolsonaro sempre tomou posição contrária ao Amazonas. Ele já fez isso com as indústrias de concentrados, de lâmpadas, que desempregou centenas de milhares de trabalhadores no interior e capital. O Amazonas já perdeu várias fábricas, perdeu inúmeros postos de trabalho, muitas indústrias preferiram se instalar em países vizinhos da América do Sul, que ter prejuízos no Amazonas.

“Nos temos quase 23% de pessoas ativas fora do mercado de trabalho, estamos chegando a quase 1 Milhão de desempregados no Amazonas. O que Bolsonaro quer é que volte o ‘Porto de Lenha” para estimular o desmatamento na Amazônia, como hoje ele está fazendo com o garimpo do Madeira e nas terras indígenas. É um governo irresponsável”, aponta Valdemir Santana.

O sindicalista lembra que na década de 80, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, tentou fazer a mesma coisa. Só que na época, os empresários, políticos, governo se uniram para combater e o ‘mal do FHC’, foi combatido.

Não por falta de aviso, emprego é para cortar árvores

“Estamos há mais de três anos avisando que a intensão do governo Bolsonaro era a de decretar uma medida de esvaziamento da ZFM, seja ela qual fosse, mas não obtivemos atenção nenhuma, nem dos 9 deputados federais, nem dos 3 senadores e nem do executivo estadual e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas alerta que os próximos postos de trabalho no Estado, certamente, serão oferecidos pelas madeireiras, para cortar árvores na floresta, ou seja, o governo Bolsonaro empurra os trabalhadores da Zona Franca de Manaus para o desmatamento, hoje, uma política que está sendo combatida por ambientalistas e por vários países do mundo.

Cidadão do Amazonas

As medidas catastróficas de Bolsonaro, que até já recebeu título de cidadão amazonense, são sempre contra as indústrias do Estado e que não tem outra medida a ser tomada, que não a união das classes políticas, sindicais, empresariais do Amazonas para extirpar de vez esse tumor maligno, que insiste em liquidar as indústrias e os empregos no Amazonas.

“A economia fascista e desumana de Bolsonaro/Paulo Guedes, é para desenvolver os países ricos da América e da Ásia, não a do Brasil”, finaliza Valdemir Santana.

Fonte: Correio da Amazônia