Federações e sindicatos filiados à CNM/CUT organizam atividades para que a pauta nacional esteja presente nas negociações das campanhas salariais de 2013.

A campanha pelo Contrato Coletivo Nacional de Trabalho (CCT) está sendo intensificada neste início de 2013 e atividades estão sendo marcadas em todo o país. No final deste mês, será realizado o Seminário Estadual em Minas Gerais. Em março, atividade semelhante acontecerá no Rio Grande do Sul. Em outros Estados da Região Norte e Amazonas, sindicatos e federações também estão organizando as ações.
O objetivo é que, nas campanhas salariais deste ano, os cinco itens da pauta do CCT – aprovados na Conferência Nacional sobre Negociação Coletiva, realizada em novembro – sejam incorporados às reivindicações nas negociações locais. “Estamos otimistas com a campanha, porque estamos partindo de reivindicações que não têm, diretamente, cunho econômico e, assim, podem se tornar o início de direitos iguais para a categoria em todo o país”, informa Paulo Cayres, o Paulão, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, destacando que, na sequência, a categoria quer chegar a um piso nacional de salários e a direitos sociais e econômicos únicos em todo o país.
“Ao longo de 2012 e no início deste ano, percorri praticamente todos os sindicatos filiados à CNM/CUT para, além de sentir de perto a realidade local, conversar com as direções e militantes sindicais sobre a importância do Contrato Coletivo e as formas de lutar por ele”, afirma o presidente da Confederação.
O Contrato Coletivo de Trabalho é uma bandeira de luta antiga dos metalúrgicos e a CNM/CUT avalia que, com o desenvolvimento consistente dos últimos anos no Brasil, há um cenário econômico estável, que permite avançar nas negociações com os setores empresariais.
Na Conferência Nacional de novembro, o assunto foi discutido de maneira aprofundada e a pauta de reivindicações aprovada levou em consideração a realidade dos quase 80 sindicatos de metalúrgicos filiados. “Agora, vamos viabilizar a campanha em toda a base”, ressalta Paulão.
Confira aqui as cláusulas aprovadas na Conferência:

* CRECHE:

– Será garantida para crianças de zero a seis anos.
– A creche será de livre escolha dos pais ou responsáveis legais.
– O reembolso do auxílio creche será de, no mínimo, 50% do piso salarial da categoria.
– O direito será garantido não apenas para mães, mas também para pais, responsáveis legais e adotantes.

* ACESSO AO LOCAL DE TRABALHO:

– Será garantido o acesso aos dirigentes e assessores sindicais ao local de trabalho para o desenvolvimento de todas as atividades sindicais, como assembléias, eleições do Sindicato e da CIPA e, inclusive, para campanhas de sindicalização.

* CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes)

– Será garantido o direito do Sindicato participar de todo o processo eleitoral da CIPA e, inclusive, o de indicar o secretário geral.
– O tempo para atuação dos “cipeiros” e suplentes será definido em conjunto pela CIPA eleita, o Sindicato e a empresa.
– O mandato será de dois anos, sem limitação para reeleição para o 2º mandato
– Será garantida a estabilidade para o suplente.
– Será garantida eleição da CIPA em empresas com menos de 20 trabalhadores (não prevista na NR-5).

* DEMISSÕES:

– Todas as rescisões serão feitas no Sindicato.
– No pedido de dispensa pelo trabalhador, não será aplicada penalidade de pagamento de aviso prévio.
– A empresa pagará multa de dois salários nominais após vencido prazo de 10 dias para o pagamento das verbas rescisórias.
– Nas demissões por justa causa, o motivo será comunicado por escrito ao trabalhador e ao Sindicato.
– No prazo de 20 dias após a demissão por justa causa, será garantido o direito do trabalhador e do Sindicato apresentarem a defesa.

* DURAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE JORNADA:

– Será fixada limitação semanal, mensal e anual da jornada de trabalho, para inibir as horas extras.
– Nos turnos de revezamento, será garantido número mínimo de folgas aos domingos
– Nos turnos de revezamento, serão estabelecidos critérios que contemplem condições de vida para mulheres e estudantes.
– A implantação de turnos especiais só será feita mediante estudo do Sindicato sobre os impactos nas condições de vida dos trabalhadores.
– A compensação de feriados prolongados só será estabelecida mediante votação secreta, que acontecerá com antecedência mínima de 30 dias.
– Compensação aos sábados: não haverá compensação se coincidir com feriados e, em caso de trabalhar, serão pagas horas extras; se não houver trabalho aos sábados, a compensação será feita de segunda a sexta-feira.
– Em caso de interrupção da jornada pela empresa, o período será remunerado e não poderá ser compensado.

Escrito por: NCM/CUT