O custo da cesta básica de Manaus continua em alta comparativamente ao mês anterior ficando em R$ 298,22 em outubro de 2012 de acordo com pesquisa realizada pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Com o aumento do valor da cesta a capital amazonense voltou a ocupar a 3° colocação dentre as 17 capitais onde é realizada a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, seguindo definições do Decreto-Lei 399, de 30 de abril de 1938.

O preço da cesta básica de Manaus, composta por 12 produtos, apresentou aumento de 3,61% em relação ao mês de outubro. No mês anterior o conjunto de itens alimentícios essenciais custava R$ 287,82. Em outubro de 2011 a cesta básica custou R$251,58.

Poder de compra do Salário Mínimo em Manaus

Comparativamente com setembro de 2012 um trabalhador que ganha um salário
mínimo em Manaus comprometeu, em outubro, 52,11% de seu rendimento líquido – R$ 572,24, após o desconto de 8% referente à contribuição previdenciária – com a aquisição dos alimentos básicos. Em setembro o comprometimento foi de 50,30%. Este mesmo trabalhador precisou trabalhar 105 horas e 29 minutos para comprar a cesta básica em outubro. Em setembro a jornada exigida era de 101 horas e 48 minutos. Em outubro, a jornada média, nas 17 capitais, dos trabalhadores, que recebem salário mínimo, necessária para se alimentarem foi de 95 horas e 01 minuto, bastante semelhante à jornada média necessária em setembro, 95 horas e 12 minutos. No mesmo período do ano passado, a jornada média de trabalho exigida para a compra da cesta somava 94 horas e 04 minutos.

A alimentação básica de uma família manauense custa R$ 894,66
O custo da cesta básica para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto) foi de R$ 894,66 durante o mês de outubro. Esse valor equivale a aproximadamente 1,43 vezes o salário mínimo bruto, fixado pelo governo federal em R$ 622,00. No mês anterior, o custo da cesta básica para esta mesma família foi de R$ 863,46.

Salário mínimo necessário é R$ 2.617,33

Para estimar o valor do salário mínimo necessário, o DIEESE leva em consideração o maior custo para o conjunto de itens básicos – que em outubro foi verificado em São Paulo – e o preceito constitucional que estabelece que o menor salário pago deveria suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Para atender a essas necessidades, em outubro, o menor valor pago a um trabalhador deveria ser de R$ 2.617,33, ou seja, 4,21 vezes o piso vigente de R$ 622,00. Em setembro, o salário mínimo necessário era bastante semelhante ao
atual, equivalendo a R$ 2.616,41 (4,21 vezes o salário base). Em outubro de 2011, o salário mínimo necessário era de R$ 2.329,94, ou 4,28 vezes o valor mínimo em vigor na época, R$ 545,00.
Comportamento dos preços

Na capital amazonense, a cesta básica custou, em outubro, R$ 298,22. Em relação a setembro, houve aumento de 3,61% nos preços dos produtos essenciais. Entre janeiro e outubro, a alta acumulada é de 16,59%, enquanto na comparação com outubro de 2011, houve alta de 18,54%.
Dez produtos da cesta de Manaus apresentaram alta em outubro. Os produtos que
tiveram aumentos acima da cesta total foram: farinha (15,49%), banana (8,46%), feijão (4,81%), carne (4,18%) e o pão (3,86%). O arroz (2,98%), óleo (2,86%), tomate (2,74%), leite (1,49%) e o café (0,24%) apresentaram alta, porém inferior a variação total mensal. Os que registraram queda foram: manteiga (-6,84%),e açúcar (-1,08%).
No acumulado do ano, de janeiro a outubro, apenas o açúcar (-7,07%) teve queda
nos preços. Os outros 11 produtos da cesta tiveram aumentos: farinha (53,81%), feijão (40,20%), tomate (26%), banana (23,48%), óleo (22,45%), pão (15,15%), arroz (10,47%), manteiga (8,59%), carne (5,74%), leite (5,02%) e café (4,2%).
A farinha, após e a cheia recorde a produção foi ameaçada e ainda não retornou a
normalidade, o que resulta na alta do preço pelo produtor e, consequentemente, ao consumidor final. No ano registra uma variação de (53,81%) e em 47 meses apresenta uma alta de (64,9%). O produto apresentou alta em todas as capitais pesquisadas nas regiões Norte e Nordeste.
A banana, o produto apresenta alta no ano (23,48%), e nos 12 meses acumula alta (22,21%). O feijão acumula no ano (40,20%) e nos últimos 12 meses (57,56%). A carne registrou a mesma tendência do mês anterior acumulando (10,13%) nos últimos 12 meses. Fechou outubro com alta em 13 capitais. O pão francês, no ano acumula alta de (15,15%) e em 12 meses acumula (17,24%). A elevação nos preços do produto pode estar relacionada ao comportamento verificado para o trigo, cuja alta vem pressionando, nos últimos meses, os preços no atacado nacional e pode ter algum impacto no consumo final.
O arroz subiu em todas as localidades em outubro. A seca que perdurou no Rio
Grande do Sul até a terceira semana do mês e o fortalecimento do mercado internacional do arroz alicerçou as expectativas de alta dos produtores ao longo do período (CEPEA/ESALQ/USP). Na análise dos 12 meses acumula (4,97%), e no ano acumula uma variação de (10,47%).
O óleo no ano acumula uma variação de (22,45%) e em 12 meses apresenta alta de (23,29%). O produto elevou-se em 16 localidades.
O tomate, nos 12 meses está (26,79%) mais caro e em 47 meses acumula uma alta de (67,41%). A oferta do produto deve aumentar em função da safra de inverno (setembro a dezembro) e os preços podem voltar a cair.
O leite subiu em 14 cidades pesquisadas. Essa alta é consequência da oferta reduzida de leite, dada a estiagem prolongada em várias regiões do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, e da finalização da safra sulista. Na análise dos 12 meses acumula alta de (2,64%), e em 47 meses apresenta (27,70%) de alta.
O café na análise dos 12 meses apresenta variação de (14,99%) e no ano (4,2 %).
A manteiga, apesar da redução nos preços do produto no mês, apresenta alta de
(8,59%) no ano.
O açúcar nos 12 meses está (-13,21%) mais barato porém nos 47 meses em que a pesquisa é realizada na capital amazonense acumula alta de (82,18%).

Nove cidades têm alta no preço da cesta

Em outubro, o preço dos gêneros alimentícios essenciais aumentou em nove das 17 capitais onde o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos – realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. As maiores altas foram verificadas em cidades do Norte e Nordeste, com destaque para Recife (4,49%), Manaus (3,61%) e Fortaleza (2,54%). Entre as sete localidades onde houve recuo, as quedas mais expressivas foram apuradas em: Florianópolis (-9,04%), Brasilia (-3,66%) e Vitória (-2,29%).
Depois de três meses, São Paulo voltou a apresentar o maior valor para a cesta básica, com os produtos de primeira necessidade custando R$ 311,55. Porto Alegre apresentou o segundo maior valor (R$ 305,72) e Manaus (R$ 298,22), o terceiro. As cestas com os menores custos médios foram encontradas em Aracaju (R$ 206,03), Salvador (R$ 223,00) e João Pessoa (R$ 232,97).
Nos dez meses deste ano – de janeiro a outubro – a variação acumulada do preço da cesta foi positiva em todas as capitais pesquisadas. Os maiores aumentos foram apurados em Fortaleza (18,54%), Manaus (16,59%), Natal (16,40%) e Recife (15,88%). As menores variações no ano ocorreram em Goiânia (1,79%), Vitória (6,70%) e Salvador (6,79%).

Em doze meses – entre novembro de 2011 e outubro último – todas as capitais
registram alta nos preços médios da cesta básica, com destaque para Fortaleza (28,40%), Natal (23,25%) e Recife (21,39%). As menores variações foram observadas em Goiânia (7,56%), Florianópolis (8,36%) e Salvador (8,72%) como mostra a Tabela 3.