As decisões do presidente Jair Bolsonaro em relação à economia, meio ambiente, garimpos, terras indígenas e Zona Franca de Manaus nos últimos três anos e, mais recentemente a publicação do Decreto nº 10.979, para reduzir em 25% a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que deixa os empregos e as indústrias do amazonas de ‘calças na mão’, motivou a direção da Central Única dos Trabalhadores no Amazonas (CUT-AM) em conceder em ato público, o título: “Cidadão Inimigo do Amazonas”, ao mandatário brasileiro.

A entrega do ‘título’ será simbólica, em praça pública, para dizer à população que o que interessa ao Jair Bolsonaro são as terras indígenas e a madeira do Amazonas. A CUT informa, no entanto, que “se ele quiser receber pessoalmente, que fique à vontade”. 

A “homenagem” ao maior inimigo dos empregos e do desenvolvimento do Amazonas, nos últimos 55 anos, está sendo preparada por Centrais Sindicais, Sindicatos, trabalhadores filiados à CUT e, políticos que queiram participar do Ato, que tem como meta, incentivar a anulação do título de ‘cidadão do Amazonas’, concedido em solenidade na Assembleia Legislativa do Estado, em abril de 2021 e, tornar Bolsonaro no maior inimigo que o Estado já teve em todos os tempos.

Dentro das fábricas, Valdemir Santana, fala sobre o perigo das medidas de Bolsonaro para os empregos – foto: divulgação/ilustração

Presidente da CUT

Indignado com os constantes ‘pacotes de maldades’ lançados contra o Amazonas, o presidente da CUT-AM, Valdemir Santana, diz que no curto espaço de três anos, Bolsonaro liquidou as indústrias de concentrados e desempregou mais de 1.100 pessoas que plantavam cana de açúcar no interior do Estado.

Bolsonaro inviabilizou as indústrias de lâmpadas de Led, que desempregou mais de 6.200 industriários. Insistiu com a abertura do mercado das indústrias de componentes e fez com que várias fábricas do Amazonas fechassem suas portas, deixando mais de 8.000 trabalhadores sem empregos no Polo Industrial de Manaus.

As fábricas de componentes plásticos, estão quase fechadas, com grande prejuízo não só para os empregos, mas para as próprias indústrias que dependem do produto.

Valdemir diz que tudo que vem do governo federal para o Amazonas é problema, desemprego, destruição e não há razão para elogios e nem título para um cidadão que só prejudica todos os trabalhadores, de todos os setores econômicos do Amazonas.

Pá de Cal

Para o sindicalista, com a publicação do Decreto de redução de IPI, Bolsonaro simplesmente jogou a ‘pá de cal na moribunda ZFM’. O processo começou com a inviabilização do Processo Produtivo Básico (PPB), com o objetivo de beneficiar o estado de São Paulo e o Sul do País e, criar um álibi de desmantelamento da ZFM.

“A medida é para acabar com a Zona Franca de Manaus”, diz Valdemir, acrescentando que o Decreto de Bolsonaro coloca 400 mil empregos, diretos e indiretos, em rota de extinção. E, a única solução é as pessoas se voltarem para a pesca, garimpo e a extração de madeira.

“Nós sabemos que é isso o que Bolsonaro quer, devastar a Amazônia, ele começa por extinguir o Polo Industrial para obrigar as pessoas irem para a devastação dos rios com os garimpos, o desmatamento com a devastação da floresta e depois justificar dizendo que o povo precisa trabalhar”, diz ele.

A homenagem e entrega do título acontecerá em Ato Público. A CUT convida todos os amazonenses para o ato solene.

Cabide de Empregos

Pior ainda, Bolsonaro transformou a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em “cabide de empregos”. “Desde a posse do mandatário, o órgão que tem a função de fiscalizar virou cabide de empregos e um departamento do Ministério da Economia, sem autonomia e nem gestão independente. “A CUT enviou mais de 10 solicitações ao órgão, pedindo explicação, mas nenhuma foi respondida”, informou Santana.

O faturamento PIM foi de R$ 160 Bilhões e não se sabe onde foi aplicado essa fortuna. O Amazonas tem mais de um milhão de desempregados, algo em torno de 22% da mão-de-obra efetiva de fora do mercado de trabalho. É o maior índice de desemprego do Brasil em relação ao restante dos estados.

“O que vai acontecer com o Amazonas, se a ZFM acabar?”, se preocupa Valdemir Santana. De 2021 para 2022, as indústrias do Amazonas demitiram mais de 10.500 pessoas, mas com faturamento de mais de R$ 130 Bilhões (dados da Suframa).

Inconsequente

Cientificamente está provado: se desmatarem e degradarem os rios da Amazônia, o Brasil, o mundo sofrerá as consequências de um presidente inconsequente.

Fonte: Correio da Amazônia