A Lei que libera a terceirização para todas as atividades das empresas está sufocando os trabalhadores do Distrito Industrial do Amazonas, achatando salários e escravizando a mão de obra qualificada nas empresas milionárias instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal), Valdemir Santana, quanto mais essas empresas faturam, mais elas escravizam os funcionários, rebaixam salários e os empurram de volta para a informalidade das ruas.

O setor de logística das empresas LG da Amazônia, Samsung, Flex da Amazônia, P&G (Gillette), Honda do polo de duas rodas é um cruel exemplo dessa realidade. Eles estão terceirizando os serviços em suas instalações, baixando salários que antes eram de R$ 1.500,00 em média, para míseros R$ 954,00, para desempenhar a mesma função.

Bilhões de Reais

Enquanto isso, essas mesmas empresas faturam ‘Bilhões’ em incentivos fiscais e junto com outras da PIM, burlam o destino de mais de R$ 1 Bilhão de verbas de P&D. Um desses, é o caso recente do instituto SIDIA – Samsung Instituto de P&D da Amazônia Cintia, que comprou um hotel de luxo no centro de Manaus por R$ 87 Milhões, o Hotel Caesa Manaus, sem justificativa da finalidade do gasto.

Igual ao instituto da Samsung, as outras empresas também tem dado destino obscuro ao dinheiro do P&D. É o que vem investigando o presidente do Sindmetal e da CUT-AM, Valdemir Santana. “Os trabalhadores vão paralisar as fábricas, se não derem uma explicação lógica para a exploração da mão de obra local e dos gastos, sem finalidades claras do dinheiro que seria para a qualificação de trabalhadores”, avisa.

Por outro lado, Santana estranha que até agora o Ministério Público (MP) ainda não tenha dado sinal de que está investigando ou não esse derrame de dinheiro oriundo de incentivos fiscais concedidos por um órgão federal (a Superintendência da Zona Franca de Manaus- Suframa), às empresas citadas acima.

A suspeita é que o MP não tenha condições humanas de investigar a enxurrada de centenas de atos de corrupção no serviço público, ao ponto de ter que priorizar caso a caso. Ocorre, que esse é um caso de Bilhões de Reais com desvio de destino de dinheiro público, que chegou ao conhecimento de milhares de trabalhadores do Distrito Industrial do Amazonas (DI-AM).

O que é o P&D:

É um benefício importante para a interação entre as empresas e universidades e institutos de pesquisa no desenvolvimento de novas tecnologias para as empresas, através de atividades de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento).

No atual quadro econômico no Brasil, no qual as empresas se inserem, marcado pela alta competitividade, qualidade dos produtos e concorrência acirrada, cada vez mais o êxito empresarial depende da capacidade da empresa inovar tecnologicamente, colocando novos produtos no mercado, com um menor custo e maior benefício para o cliente, com melhor qualidade e mais rápido que seus concorrentes.

De onde vem as verbas do P&D?

Responsável pelas políticas de fortalecimento do Polo Industrial de Manaus (PIM) e estímulo ao desenvolvimento de sua área de atuação, a SUFRAMA identifica potencialidades regionais e cria condições para transformá-las em oportunidades de negócios. Tipo P&D / Lei de Informática, P&D / PPB, mas não tem cobrado resultados sobre os investimentos e aproveitamento dessa novas tecnologia na atividade fim.

Nos últimos anos, a verba reservada para inovação cresceu no Brasil. Passou de R$ 4 bilhões, em 2000, para R$ 25,8 bilhões em 2013 e vem crescendo até a data atual. Porém, o governo federal optou por destinar a maior fatia de recursos públicos à inovação para bolsas de estudo. A conclusão está em levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) , com base em dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em 2013, 72,5% da dotação orçamentária brasileira para pesquisa e desenvolvimento (P&D) foram destinados ao avanço de conhecimento de alto impacto e valor agregado como, por exemplo, defesa, setor espacial e saúde.

Em 2013, o total da verba pública brasileira para P&D, de R$ 25,8 bilhões, representava 1,38% do total do orçamento executado pela União.
Ao descontar tudo o que foi investido em bolsas de estudo e pós-graduação, aos projetos de inovação sobrou 0,57% do total do orçamento.

Apesar de a maior parte dos recursos de inovação ir para avanço do conhecimento, chamam atenção os critérios de avaliação dos cursos de engenharia utilizados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). (Dados Notícias CNI)

FONTE: CORREIO DA AMAZÔNIA