As lojas de departamentos estão com seus estoques reduzidos e sem condições de atender os clientes e os seus pedidos, as lojas que vendem bicicletas e motocicletas também estão com seus estoques no fim.

As vendas e o consumo no período dessa pandemia do coronavírus – Covid-19, em vez de reduzir, aumentaram e as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM), não estão conseguindo atender a demanda.

Ainda assim, essas mesmas empresas do setor de eletroeletrônicos e de duas rodas da Zona Franca de Manaus (ZFM), que tiveram faturamento alto em plena pandemia estão querendo manter, por tempo indeterminado, os efeitos da Medida Provisória nº. 936, que prevê, entre outras coisas, a redução dos salários e suspensão do contrato de trabalho.

A denúncia é feita pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Valdemir Santana, que mais uma vez vem ao Portal Correio da Amazônia, dizer que as empresas da ZFM estão agindo de má fé e tentando ‘ludibriar’ os direitos trabalhistas de milhares de trabalhadores.

Faturamento acima da média

As Indústrias que fabricam aparelhos celular, televisores, notebook, bicicletas e moto tiveram desempenho razoável ou acima da média nos últimos meses. Isso se deve à mudança de hábito dos cidadãos, que em isolamento social, terminaram por consumir mais.

“A pandemia modificou os hábitos das pessoas, ampliou o teletrabalho (home office) e os serviços de entrega. Com isso, aumentou a demanda especialmente por motocicletas, bicicletas e notebooks”, destaca Santana.

Mesmo com o aquecimento da demanda, as empresas insistem que estejam sofrendo impactos negativo no seu faturamento em razão da pandemia do Covid-19. Ou seja, trata-se de mais um caso de má fé, na opinião do presidente da CUT Amazonas.

“Algumas empresas estão usando de má fé porque a Medida Provisória do Governo Federal nº 936, ampara a continuidade das medidas se não aumentasse o faturamento, mas todas as empresas que estão querendo renovar acordo para reduzir salários tiveram aumento de faturamento”, explica Valdemir Santana. “Então, elas não poderiam mais fazer suspensão de contrato nem redução de salários”, acrescenta.

Ele destaca que o próprio Governo do Estado e o Ministério Público do Trabalho são responsáveis por fiscalizar o faturamento dessas empresas e analisar os casos que cabem ou não a continuidade dos efeitos da Medida Provisória nº 936. “Nós, do sindicato e da CUT, estamos enfrentando sozinhos essa questão”, diz Santana.

Fonte: Correio da Amazônia