O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas foi o palco de um grande encontro organizado pela Secretaria da Mulher da entidade e pelos movimentos sociais do Estado.

O encontro das Mulheres Metalúrgicas, ocorrido semana passada, no auditório do Hotel Taj Mahal, reuniu as principais lideranças do movimento sindical feminino, cipeiras, diretoras sindicais de base e trabalhadora para ouvir as representantes da CNM, Mali Melo e Renata Gnoli Paneque, sobre os principais problemas que afetam as mulheres metalúrgicas no Amazonas.

As representantes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, abordaram os temas relativos às desigualdade de salários, discriminação das mulheres na hora da contratação. Às mulheres de um modo geral, segundo a diretora de base Maria de Jesus, sempre tem sido dado um salário menor que o salário dos homens. No evento, realizado na noite do dia 8, as trabalhadoras – que representam mais de 50% da força de trabalho nas indústrias do Amazonas – reafirmaram seu compromisso com as suas lutas específicas, como creche, combate às doenças ocupacionais, fim do limite de idade na contratação, entre outras.

No Distrito Industrial do Amazonas, as indústrias sempre tem reservado um salário menos para as mulheres, mas as funções são desempenhadas com a mesma capacidade e produtividade. Para evitar, ou pelo menos, reduzir essa discriminação, é que a CNM tem promovido palestras de conscientização, no sentido de preparar as trabalhadoras a exigir direitos e conhecer a forma de negociação com igualdade junto às empresas.

Dados do Dieese diz que o Brasil tem próximo de 2,5 milhões de metalúrgicas trabalhando. As mulheres estão mais presentes no setor de eletroeletrônicos (35,6%). Já no naval a participação feminina é de apenas 8,6%, a menor do ramo. No entanto, a remuneração média das mulheres é 28,3% menor que a dos homens. No setor de eletroeletrônicos a diferença chega a 37,3%, exatamente o setor que mais emprega mulheres no Polo Industrial de Manaus – PIM.

O Estado do  Amazonas é o que possuí o maior percentual de mulheres na base da CNM, ou seja, 36,1%. Bastante superior à média nacional, que é de 18,8%. Os dois setores com maior participação feminina no Estado do Amazonas são: eletroeletrônico (49,7%) e automotivo – duas rodas (26,7%).

No que se refere à educação, o Amazonas, assim como no restante do Brasil, as mulheres metalúrgicas são mais escolarizadas que os homens: 82,3% possuí ensino médio completo. O percentual de mulheres cursando ou formadas no ensino superior é muito próximo ao de homens, 82% para os homens e 73% para as mulheres. Esse quadro tende a mudar com o interesse cresceste das mulheres pelo ensino superior em Manaus.