“Na Flextronics, os trabalhadores tem que sair da fábrica, atravessar a rua para se alimentarem nas bancas de salgados.”

Está cada dia pior os maus-tratos da empresa Flextronics da Amazônia aos trabalhadores da sua unidade no Polo Industrial de Manaus (PIM). Pior é que ela está incentivando outras empresas, como a P&G, que também oferece péssima alimentação e empregos temporários que ‘sub-escravizam’ seus funcionários, pagando salários mínimos e nenhum direito trabalhista.

Não é só a péssima alimentação, fortemente denunciada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana e, por funcionários das próprias fábricas. “Desistimos de falar com os ‘feitores’ dessas empresas. Só o Ministério Público para resolver o problema”, aponta ele.

Sob pressão

Conforme disse Valdemir Santana, a Flextronics e a P&G tem mais da metade dos seus funcionários trabalhando pelo sistema de (mão-de-obra-temporária), que não registra a Carteira de Trabalho (CTPS), que não recolhe imposto, o FGTS, não dá assistência médica, não paga plano de saúde, férias, 13º salários, PLR, creches e ainda assim, praticam o menor salário do PIM, na atualidade.

Antes era só a Flextronics, agora a PG&, que fabrica os descartáveis da Gillette, também resolveu fazer rodízio de mão-de-obra temporária, por tempo determinado de 3 meses, para não pagar impostos, além de cometer o desatino de demitir 11 mulheres grávidas e um funcionário que sofreu lesão cerebral dentro do ônibus da empresa.

Incentivo fiscais

Santana lembra que todas as empresas que operam no Distrito Industrial do Amazonas, na Jurisdição da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), recebem incentivos ficais maiores que os dados em outros estados e, que são obrigadas, por Lei a criar postos de trabalho e dar todos os benefícios trabalhistas aos seus funcionários.

Tudo o que está sendo reivindicado pelo Sindicato e o presidente dos Metalúrgicos, está na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), assinada pelos responsáveis por essas empresas.

“As empresas aqui do Estado são dirigidas pela matriz de São Paulo, da China, do Japão, da Coréia, com massacre aos trabalhadores no Amazonas. “Falta fiscalização em todos os sentidos. Ninguém fiscaliza nada”, lamenta Valdemir Santana.

Vídeo mostra a disputa por um lugar para se alimentar: 

Fonte: Correio da Amazônia