A cifra de R$ 131,01 Bilhões é astronômica, o faturamento do Polo Industrial de Manaus (PIM), até outubro de 2021, é 22% maior em relação ao mesmo período de 2020, mas de acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, a soma anunciada pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), não está restrito unicamente ao que foi produzido nas fábricas do PIM mas, também, com o que elas economizaram com a mão de obra terceirizada, temporária e os gastos com alimentação de última qualidade.

De acordo com o sindicalista, parte do que foi faturado no PIM é fruto do não reajuste de salários de algumas categorias de trabalhadores no mesmo período. Entre elas os do setor de plásticos, o setor de papelão que teve a maior dificuldade em fechar reajuste acordo salarial e, abaixo do índice.

Conforme disse Valdemir Santana, parte do que foi faturado no PIM é fruto do não reajuste de salários de algumas categorias de trabalhadores no mesmo período. Entre elas os do setor de plásticos, o setor de papelão que teve a maior dificuldade em fechar o reajuste salarial e, abaixo do índice.

Barões da borracha

Contar vantagem de faturamento astronômico é fácil, desleal e imoral, quando não se soma o que foi faturado, sem contar com a mão de obra barata e os custos operacionais explorativos.

“Em termo comparativos, as fábricas do Distrito Industrial do Amazonas são iguais aos Barões da Borracha, no início do Século passado, quando exploravam os seringueiros, para acender charutos com notas de Mil Réis, no Cabaré Chinelo, no centro da cidade de Manaus”, compara Santana.

No caso dos ‘feitores das indústrias do Amazonas’, eles não acendem os seus cigarros na economia de Manaus, do Amazonas, mas exportam milhões de Dólares para as matrizes, a maioria delas na China, Coreia, EUA, Japão. Sugam o que podem e o que o governo federal permite e deixam um rastro de pobreza para os sindicatos resolverem.

Salário Mínimo

Conforme o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, 15% dos funcionários das indústrias no Amazonas ganham salário mínimo. Algo em torno de 12 a 15 mil trabalhadores estão na faixa mínima de salários, sem assistência médica, sem benefícios, FGTS, INSS, Creches para os filhos e sofrendo com o custo reduzido nos gastos com a alimentação e a terceirização dos serviços.

A Suframa também deixou de citar na soma dos R$ 131,01 Bilhões de faturamento, os 100% de incentivos fiscais dados às indústrias para elas “fazerem o favor” de operarem no Amazonas.

Almoço na fábrica só de levar de casa, diz Valdemir Santana

Os diretores da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AM) e os do Sindicato dos Metalúrgicos estão exigindo que o superintendente da Suframa e o governo do Estado revejam essa política de incentivos, que foi concedida exatamente para que as indústrias pudessem criar empregos mas, também, dar boa alimentação, salários dignos, creches e outros benefícios aos trabalhadores. “Não é o que está acontecendo”, aponta.

Indústrias bilionárias

Valdemir Santana comenta que as indústrias instaladas no PIM estão cada dia mais bilionárias e os trabalhadores cada dia mais explorados. Não existe mais diretor de fábrica com poder de mando, que era uma exigência da Suframa.

“Os diretores que existem, não resolvem nada. Quem manda e desmanda é a matriz em São Paulo e os do exterior. Há um bom tempo que não se cumpre as Leis do Trabalho, a CLT e, nada é feito para coibir essa atitude ilegal. Não existe fiscalização federal e nem estadual em cima destas empresas”, comenta.

Só quem pode exercer o poder da Lei, para evitar as irregularidades cometidas nas fábricas são os órgãos de fiscalização. Ao Sindicato, cabe o recurso das greves, das paralizações, que na maioria das vezes sofrem com os rigores da Lei, com multas exorbitantes, com proibições de lutas que exigem exatamente o que está contido na própria Lei. “É contraditório, mas é a realidade atual no Polo Industrial de Manaus”, cita Valdemir Santana.

O presidente da CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana anuncia luta para 2022

Investimentos 

Finalizando, o sindicalista diz que parte dos R$ 131,01 Bilhões de faturamento que deveriam ter ficado no Amazonas, para ser reinvestido no Estado, para movimentar o comércio, bens e serviços voaram para o exterior e ainda contam vantagens. Mas quando a CUT e os Metalúrgicos falam em parar uma indústria desta, a sociedade, a justiça, os representantes do povo, os parlamentares saem em defesa dos feitores, dos exploradores. “Vai entender”.

“Estão enganando os trabalhadores, mas agora em 2022, a nossa posição é clara: vai ser um ano de Luta pelos direitos dos trabalhadores. Vamos parar as fábricas, se for necessário”, antecipa.

 

FONTE: CORREIO DA AMAZÔNIA