Inflação-2013

A projeção para este ano é de um percentual em torno de 5,7%, abaixo, portanto, do teto definido pelo Governo Federal.

A alta da inflação, alardeada no primeiro semestre deste ano pelos meios de comunicação, não pode ser justificativa para impor reajustes salariais menores do que os adotados nos últimos anos, porque a projeção para este ano é de um percentual em torno de 5,7%, abaixo, portanto, do teto definido pelo Governo Federal. Esta é a conclusão do supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Sócio Econômicos – Dieese, economista Inaldo Seixas Cruz, durante palestra no I Encontro Regional da Confederação dos Trabalhadores em Comércio e Serviços – Contracs, que se realiza em Manaus.

Inaldo Seixas aponta um cenário internacional de incertezas de crescimento, principalmente na Europa e estados Unidos e incertezas também nos mercados emergentes, especialmente da China, com o crescimento um pouco mais reduzido em comparação com os anos anteriores. No cenário nacional algumas situações, no primeiro semestre, fizeram temer por uma situação de descontrole, mas que, ao analisar os dados com maior profundidade, percebe-se que a situação é calma em termos de indicadores econômicos com expectativa de crescimento relativamente boa para o futuro

“Termos a expectativa de encerrar o ano com a taxa de selic entre nove e 9,25%, taxa de crescimento do PIB em torno de 2,7% com taxa de câmbio de 2,14%, em média, e com a inflação em torno de 5,7, ou seja, dentro da meta do teto projetado pelo Governo Federal”, destaca Inaldo, sugerindo que o alarme em torno de uma possível alta da inflação não se sustenta.

O I Encontro Regional da Contracs foi realizado em Manaus (AM), de ontem até o meio dia de hoje, 30, com participação de representantes de categorias como hoteleiros, comerciários, serviços de saúde, transporte, comércio ambulante dentre outras, dos estados do Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Rondônia e Roraima. Segundo Elias Sereno de Souza, presidente da Federação dos Trabalhadores do Comércio do Amazonas – Fetracom-AM, o evento tem por finalidade reunir representantes dos diversos segmentos do comércio e serviços para articular uma luta comum em torno das demandas que essas categorias apresentam nos estados da região Norte.

Avanços e desafios – Para Alcir Matos Araújo, presidente da Contracs, a avaliação da conjuntura foi marcada pelos momentos que o Brasil se sintoniza no cenário internacional, especialmente junto ao grupo do BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, como também pelo cenário econômico em que o país se colocou nos últimos dez anos fazendo um comparativo entre os governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma, para mostrar os avanços alcançados pela sociedade brasileira.

Segundo Alcir Matos, um dos avanços significativos dos trabalhadores brasileiros foi a redução drástica do desemprego. “A sociedade foi valorizada, com a elevação da auto-estima, para os quais muito contribuíram os programas sociais. Foi graças a eles que uma parcela significativa da sociedade, antes excluída política e socialmente, passou a ter peso na economia adquirindo bens que antes eram inacessíveis”, avalia o presidente da Contracs.

“Nós avaliamos que os trabalhadores passaram a ter uma participação nas comissões e conferências tripartites. Quando a gente faz parte de dialogar governo, patrão e trabalhador a gente insere algumas bandeiras nossas para melhorar a qualidade no local de trabalho”, acrescenta ele, apontando melhorias conquistadas pelos trabalhadores. S

Para Alcir, é necessário ainda precisa avançar para alcançar um patamar qualitativo de trabalho decente com salário digno, condições dignas, sem discriminação, sem preconceito, respeito ao indivíduo no local de trabalho, seja no âmbito da saúde, seja na sua garantia de empregado. “Nós entendemos que isso em alguns locais tem melhorado, por exemplo, no setor hoteleiro ainda há uma extensa jornada e uma rotatividade mui grande, a maioria dos trabalhadores no comércio também há uma rotatividade, agora nós estamos colocando umas bandeiras nossa”, diz Alcir. Para ele, “existe toda uma nossa trajetória de luta para que faça de fato para que o local de trabalho seja um local decente”.