ditadura_militar-Brasil_ACRIMA20120708_0002_1551 anos do golpe que deu início à ditadura: Amazonenses que testemunharam os ‘anos de chumbo’ relembram os dias sombrios que o País viveu a partir daquele 31 de abril de 1964. Parintinense faz parte da lista de mortos e desaparecidos durante o regime militar.

Com um legado de graves agressões aos direitos humanos, que incluem torturas, mais de 400 mortos e desaparecidos, censura, supressão das liberdades civis  e perseguições políticas o golpe que deu início à ditadura militar no Brasil (1964 a 1985) completa hoje 51 anos num contexto político marcado pela intensificação de manifestações de rua, as quais, em parte, dão margem à discursos pedindo a volta do regime de exceção.

Uma das testemunhas desse período histórico no  Amazonas, o jornalista e advogado Benedito Azedo, 81 anos,  lembra com indignação do desaparecimento do conterrâneo Thomaz Antônio da Silva Meireles, o “Thomazinho”, em maio de 1974, como  para dar eco a lema que inspirou a Comissão da Verdade Nacional: “Ditadura nunca mais. É uma maluquisse a gente vê jovens pedindo a volta do regime militar. Nunca tivemos um período tão farto de democracia no Brasil. Vamos punir quem está errado. Não importa se deputado ou senador”, afirmou o jornalista.

Brasileiro parece que tem memória curta, assevera o parintintense que viveu os anos de chumbo em Manaus como repórter do Jornal do Comércio e do extinto A Gazeta. “Um coisa que me machuca e me dói ainda hoje foi o desaparecimento do Thomazinho.  Caboclo de parintins como eu. Eu participei da despedida dele, rapaz talentoso, se projetou na vida estudantil. Foi para o Rio de Janeiro, se destacou na UBES e UNE. Ganhou bolsa de estudos para ir para a Rússia estudar planejamento econômico e direito internacional. Voltou para o Brasil. Foi preso, torturado e até hoje não foi achado.  Ninguém descobriu até hoje como o mataram. E onde jogaram o seu corpo. Nunca tive ódio de ninguém. Mas tenho asco do regime militar”.

Benedito, ou seu Bené, como prefere ser chamado, guarda na memória a lista de cassados, no Amazonas, pela ditadura. “Almino Monteiro Álvares Afonso era deputado federal pelo PTB do Amazonas. E o professor Gilberto Mestrinho, ex-governador, exercia em Brasilia mandato de deputado federal por  Roraima.  Foram cassados na lista de abril de 1964. Outros amazonenses que tinham mandatos importantes como o senador Arthur Virgílio Filho foi cassado no Ato Institucional número 5, junto com José Bernardo Cabral, deputado federal”,  recorda.

O pai da advogada Paula Valério, o deputado estadual João Valério, não chegou a ser cassado, mas foi perseguido pelo regime. “O meu pai  foi relegado ao ostracismo político que o matou aos 44 anos de idade em 1973. De 1964 a 1973 continuou sendo deputado mas foi impedido de lecionar. Ele era professor de história no Colégio Estadual. Passou 50 dias em prisão domiciliar. A perseguição se deu porque era considerado subversivo. Posicionou-se contra o golpe. Sempre lutou pela liberdade. Ele foi a assinatura número um do MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Até o fim da vida não pôde voltar a lecionar”.

Leia mais…

Fonte: Acritica.com