O seguro-desemprego varia de mínimo de um salário-mínimo  até R$ 1,5 mil. Foto: Jair Araújo

O seguro-desemprego varia de mínimo de um salário-mínimo até R$ 1,5 mil.
Foto: Jair Araújo

Os trabalhadores do Amazonas, demitidos sem justa causa, já receberam mais de R$ 254,89 milhões com o pagamento de seguro- desemprego no primeiro semestre deste ano. O volume pago cresceu 14,31% em relação ao mesmo período do ano passado, influenciado pela crise econômica. Os dados são da Superintendência Regional do Trabalho no Amazonas (SRTE-AM).

O seguro-desemprego, que tem o valor mínimo de um salário mínimo e máximo de R$ 1.542,24, é um benefício que tem por finalidade dar assistência financeira temporária ao trabalhador dispensado involuntariamente, como no caso dos empregados dispensados sem justa causa. O trabalhador que recebe o seguro também passa por cursos de recolocação e qualificação profissional. Não são todos os trabalhadores que têm direito ao seguro-desemprego.

Em junho de 2015, começaram a valer as novas regras para o pagamento do benefício, que restringiu a concessão do benefício. Segundo a nova regra, o trabalhador que solicitar o seguro pela primeira vez tem direito a receber quatro parcelas se comprovar vínculo empregatício de no mínimo 1,5 ano e no máximo 1,9 ano. O trabalhador que solicitar o seguro pela segunda vez deve ter no mínimo nove meses de vínculo empregatício. Na terceira solicitação, o empregado deve ter tido vínculo empregatício de no mínimo seis meses.

Em seis meses deste ano, foram pagas 228.395 parcelas de seguro-desemprego no Amazonas, totalizando R$ 254,89 milhões. Nos primeiros seis meses de 2015, foram pagas 225.298 parcelas do benefício a demitidos sem justa causa. O volume de seguro pago naquele período foi de R$ 222,98 milhões, 14,31% a menos que neste ano.

O número de seguros pagos é sustentado pelos mais de 15 mil empregos formais perdidos no primeiro semestre do ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

“Serve como índice pra gente ver como está a atividade industrial, que está em queda. Cenário de inflação alta, dólar estável, mas com juros alto e famílias endividadas”, analisou o conselheiro do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Francisco Mourão Júnior.

Os trabalhadores da indústria foram os que mais receberam seguro-desemprego neste ano. Segundo a SRTE-AM, foram pagos R$ 92,60 milhões a demitidos das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) no primeiro semestre de 2016. O volume é 32,89% maior que o registrado no primeiro semestre do ano passado (R$ 69,68 milhões).

O setor de serviços também viu o pagamento do seguro a dispensados sem justa causa aumentar. De R$ 71,64 milhões entre janeiro e junho de 2015, passou para R$ 80,68 milhões neste ano.

Com a instabilidade política do Brasil, que influencia na economia, ainda não há sinais de que o número de seguro-desemprego vá cair no restante do ano. “Os setores industrial, comercial e de serviços estão diminuindo os custos devido à queda da demanda e, consequentemente, o reflexo a gente vê no número de demitidos. Já era para os pedidos pro Natal terem aumentado a demanda, o que não está ocorrendo. Se houver alguma melhora, será somente em 2017”, disse o conselheiro.

Fonte: www.d24am.com