A Direção do Sindicato dos Metalúrgicos encaminhou na semana passada pauta de reivindicações aos sindicatos das empresas dos polos metalúrgico, eletroeletrônico, meios magnéticos e polo de duas rodas. Os sindicalistas aguardam manifestação dos empresários para que as negociações iniciem. Neste ano estarão em discussão somente as cláusulas econômicas uma vez que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria vale até 2021.

É a primeira vez que o Sindicato vai às negociações sem mobilizações em porta de fábrica. A Direção da entidade quer manter uma agenda de reuniões com os empresários para discussão das propostas de pauta sem promover aglomerações ou outras atividades que coloquem em risco a saúde das trabalhadoras e trabalhadores. “É imprescindível discutir direitos, manter as conquistas e melhorar o ambiente de trabalho, mas tudo tem que ser feito com a devida segurança”, explica Valdemir Santana, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O cenário em que as negociações acontecerão é bastante adverso. Por causa da pandemia do novo coronavírus a legislação trabalhista sofreu mudanças a partir da edição das Medidas Provisórias 927 e 936. “Essas MPs representam um verdadeiro massacre aos trabalhadores”, analisa Valdemir Santana.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, porém, essas mudanças não inviabilizam o diálogo com os empresários. “Nos últimos anos todas as alterações nas leis trabalhistas tornaram difícil a vida dos trabalhadores, mas a nossa categoria sempre obteve resultados excelentes nas mesas de negociações”, disse Santana. Ele destacou que os trabalhadores dos polos eletroeletrônico e metalúrgicos foram os que mais conseguiram reajuste salarial acima da inflação, apesar da situação econômica do país ter se deteriorado nos últimos quatro anos.

 

Ações

 

A direção do Sindicato dos Metalúrgicos está orientando aqueles trabalhadores com mais de 60 anos, portadores de doenças crônicas, mulheres grávidas e afastados pelo INSS por doença ocupacional ou acidente de trabalho a procurar a Assessoria Jurídica da entidade caso estejam sendo pressionados a assinar acordos de redução de salários ou suspensão de contratos. Valdemir Santana diz que muitas empresas estão obrigando os funcionários a assinar acordos individuais, mas, segundo ele, essas pessoas não podem ser submetidas a essa prática.

Santana diz que mais de quatro mil boletins de ocorrência (B.O.) foram registrados por violação da legislação trabalhistas.

“As pessoas que registram os boletins de ocorrência precisam ficar atentas. A Assessoria Jurídica do Sindicato irá chamar todos quando a Justiça estiver atendendo normalmente”, orienta o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos.

J. Rosha