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Foto: Reprodução

Metalúrgicos, químicos, têxteis e trabalhadores na alimentação e construção vão articular ações conjuntas no Amazonas, em defesa de condições de trabalho e de salário dignas, da formação qualificada da mão de obra, do emprego decente e sem discriminação de idade e de uma política industrial que contemple contrapartidas trabalhistas.

Este foi o compromisso assumido ao final do Encontro do Macrossetor da Indústria da CUT (MSI) realizado no estado, que reuniu mais de 100 trabalhadores nos últimos dias 24 e 25 em Manaus.

O evento foi organizado pela CUT e suas confederações nacionais das cinco categorias que integram o Macrossetor – CNM/CUT (Metalúrgicos), CNQ (Químicos), Contac (Alimentação), Conticom (Construção) e CNTV (Vestuário) –, com apoio do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal) e a CUT Estadual do Amazonas.

Na avaliação dos grupos participantes, um dos grandes problemas comuns enfrentados é a baixa escolaridade e a falta de investimentos na qualificação da mão de obra, sem que o governo do estado ou até mesmo a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) estabeleçam políticas efetivas para mudar esta realidade.

Além disso, outro desafio é acabar com a discriminação no que se refere à contratação de trabalhadoras com mais de 35 anos de idade. A mão de obra feminina é grande, particularmente no setor metalúrgico (elas são metade da categoria, que tem cerca de 100 mil trabalhadores no total), e elas ficam alijadas do mercado de trabalho se têm idade superior a 35 anos. E as mulheres acabam sendo as maiores vítimas da alta rotatividade praticada pelas empresas.

As condições de trabalho também são outro foco da atuação conjunta das entidades do ramo, uma vez que as doenças profissionais têm alta incidência no Estado, particularmente as decorrentes do esforço repetitivo no trabalho.

Ao final dos debates, foi eleita uma coordenação do Macrossetor da Indústria no Amazonas, que será responsável por articular a pauta comum dos trabalhadores a partir das demandas levantadas nos grupos de discussão. A pauta deverá contemplar também a luta por um piso salarial nacional e pelo direito à organização no local de trabalho, além de propostas que abram espaçao para a participação dos trabalhadores na formulação da política industrial regional e nacional.  Os participantes do encontro entenderam, por exemplo, que é preciso lutar pela criação de polos de desenvolvimento tecnológico no estado, para que empresas deixem de ser apenas montadoras de produtos.

Fonte: CNM/CUT, por Solange do Espírito Santo