A discussão sobre a redução da jornada de trabalho ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (25) e avançou em Brasília. O relator da PEC pelo fim da escala 6×1, deputado federal Léo Prates, que esteve em Manaus na última sexta-feira (23), apresentou o texto-base da proposta em reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta, reforçando a pressão nacional em torno da redução da carga horária semanal no país.
Entre os pontos discutidos está a redução gradual da jornada de trabalho. Pela proposta apresentada, a carga horária semanal, que hoje é de 44 horas, passaria inicialmente para 42 horas semanais e, após um período de adaptação, chegaria às 40 horas. O texto também prevê a implantação da escala 5×2, garantindo duas folgas semanais, além da manutenção dos salários durante toda a transição.
A proposta ainda precisa avançar nas discussões da Câmara e do Senado antes de começar a valer.
O avanço da pauta em Brasília acontece poucos dias após o debate realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, quando o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas levou para o centro da discussão os impactos do adoecimento físico e mental enfrentado diariamente por trabalhadores do Polo Industrial de Manaus.
Durante a audiência, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas e dirigente da CUT-AM, Valdemir Santana, chamou atenção para o aumento das atividades repetitivas nas fábricas, o desgaste provocado pelo ritmo atual das linhas de produção e os impactos econômicos e sociais causados pelos afastamentos relacionados à saúde dos trabalhadores.
Para o dirigente sindical, o debate nacional começa a ampliar o olhar sobre uma realidade que já produz consequências diretas para trabalhadores, empresas e para o próprio sistema público de saúde e previdência.
“O Brasil começa a entender que produtividade sem qualidade de vida gera adoecimento, afastamentos e prejuízos reais para toda a sociedade. Isso impacta diretamente a saúde pública, sobrecarrega o INSS, afeta as empresas e tira trabalhadores das linhas de produção. Se o país não começar a discutir medidas para enfrentar essa realidade, o problema tende a aumentar cada vez mais”, afirmou.
Nas últimas semanas, a discussão sobre a redução da jornada ganhou força nacionalmente e passou a envolver sindicatos, parlamentares, especialistas e representantes do setor produtivo, ampliando o debate sobre saúde mental, qualidade de vida e modernização das relações de trabalho no país.
O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas afirma que continuará acompanhando a tramitação da proposta no Congresso Nacional e participando das discussões em defesa da redução da jornada sem redução salarial.
Assessoria de Comunicação – Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas