A luta por igualdade de oportunidades e remuneração entre mulheres e homens no mercado de trabalho é um tema, que está na mesa de discussão da Central Única dos Trabalhadores desde 2009 em parceria com as principais entidades de defesa das mulheres no Brasil. No Amazonas, a entidade vinculada a essa proposta é o Sindicato dos Metalúrgicos, que tem sob seu guarda chuva nada menos que 80 mil trabalhadoras em todos os setores da indústria do Pólo Industrial de Manaus – PIM.

Dos 120 mil trabalhadores do Distrito Industrial, 65% são mulheres, com quase sua totalidade trabalhando nas linhas de montagem. Embora tenha domínio numérico no parque industriai, as mulheres não conseguiram reverter para se os cargos executivos e técnicos, que geralmente são reservados aos homens. Mais ainda, nas indústrias coreanas onde o registro de mulheres é sempre em número muito inferior aos dos homens. Para se ter uma idéia, o Pólo de Duas Rodas de Manaus emprega 35 mil trabalhadores dos quais, apenas 30% são mulheres. Nessas fábricas de predominância asiática, até pela formação cultural de seus povos, as mulheres são vistas como “auxiliares” da supremacia masculina.

O Sindicato dos Metalúrgicos quer interferir nesses valores culturais, que ultrapassaram as fronteiras do País e estão deixando marcas, ainda bem que reparáveis, a despeito das conquistas sociais e dos dispositivos legais que postulam a igualdade de direitos entre homens e mulheres, inseridos na Convenção Coletiva da categoria, que visa a igualdade de
oportunidade e salários entre aqueles que desempenham a mesma função com o mesmo tempo de experiência.

Numa avaliação geral, os números do PIM não são favoráveis ao sexo feminino, embora conste nos registros do Sindicato dos Metalúrgicos níveis de qualificação das mulheres iguais aos dos homens. No sentido inverso, vimos observando o crescente desempenho das mulheres em todos os setores da sociedade civil, inclusive o da presidente do Brasil e de outras lideranças
femininas mundiais.

A campanha de igualdade de oportunidade na vida, no trabalho e no movimento sindical proposto pela CUT, pretende, assim, enfrentar as diferentes dimensões da desigualdade entre homens e mulheres e a consequente discriminação por gênero. Assim sendo, não aceitará que haja diferenças salariais e de função nas novas contratações feitas por empresas do Distrito Industrial do Amazonas, ou qualquer outra forma de tratamento diferenciado.

Valdemir Santana

Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas