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O discurso do ódio como ameaça à democracia e as estratégias da esquerda para o seu enfrentamento. Este foi o tema de discussão do primeiro dia do encontro dos Coletivos Nacionais de Mulheres, Igualdade Racial, Formação, Juventude e Saúde da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). O debate, que aconteceu nesta terça-feira (02), foi conduzido pela professora, historiadora e blogueira Conceição Oliveira, conhecida como Maria Frô.

A atividade reúne um grupo de 60 pessoas, composto por representantes das federações e sindicatos de bases estaduais. O encontro está acontecendo no Instituto Cajamar (SP) e se estende até quinta-feira (4). Neste primeiro dia, os Coletivos se uniram num único encontro. Amanhã e quinta, cada Coletivo fará atividade própria, para discutir demandas específicas relativas a àrea que representam.

Durante a palestra, a blogueira destacou a importância da adesão dos trabalhadores para a campanha de democratização da comunicação. “Atualmente, o Brasil tem uma mídia que não dá voz aos trabalhadores e aos movimentos sociais. Precisamos entender que a disputa do projeto político passa pela comunicação. É importante que os Sindicatos e Confederações entrem nesta disputa. Não podemos aceitar que nossas bandeiras de luta não sejam transmitidas pela mídia, que sempre aborta as matérias de nosso interesse e só leva em conta o ponto de vista do patrão”, avaliou.

Para Frô, a comunicação, a cultura e a formação formam um tripé essencial para fortalecer a luta por um projeto político mais igualitário. “Precisamos resgatar a nossa história. O Brasil passou por uma longa história de desigualdades e não podemos esquecer daqueles que lutaram para que estivéssemos vivendo numa democracia. Esse tripé é fundamental para que todos conheçam esta história de repressão e do quanto conquistamos nos últimos 13 anos”, alertou.

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A blogueira também alertou para tentativa da mídia e da direita brasileira para desconstruir a imagem do ex-presidente e metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva. “É um ódio de classe contra Lula, porque até agora não aceitam que um trabalhador eseja na presidência de um país. A mídia tenta o tempo todo desqualificar as ações políticas do ex-presidente, que tirou milhões de brasileiros da pobreza e deu acesso aos pobres e negros para frequentarem espaços que antes eram dominados pela elite”, afirmou.

“A história de luta dos metalúrgicos precisa ser sempre resgatada e lembrada. Lula (como presidente) mudou a história de um país elitista, que até hoje não aceita a ascensão dos pobres. Não podemos deixar que o povo esqueça das desigualdades sociais e de como o trabalhador era tratado antes de 2003”, completou o secretário geral em exercício da CNM, Loricardo Oliveira, que acompanha a atividade em Cajamar.

Juntos somos fortes
Na abertura do encontro, pela manhã, os secretários que comandam os Coletivos destacaram a importância das cinco secretarias da Confederação se reunirem para debater juntas as questões relativas ao mundo do trabalho dos metalúrgicos.

“Nós, do Coletivo de Mulheres, temos um pouco mais estrada e queremos contribuir com as ações dos demais Coletivos para que juntos possamos avançar nos direitos da classe trabalhadora”, afirmou a secretária de Mulheres da Confederação, Marli Melo.

A secretária de Formação, Michelle Marques, completou: “A ideia de unir os Coletivos é para que eles fiquem cada vez mais fortes. Quando nos unimos, conseguimos enriquecer o debate e fortalecer a luta dos metalúrgicos e metalúrgicas de todo o Brasil.”

Já a secretária da Igualdade Racial, Christiane dos Santos, fez um breve histórico da Secretaria, criada no 8º Congresso da CNM/CUT, em 2011. “O Coletivo é recente e este é o nosso segundo encontro, mas já tivemos importantes avanços nas Federações e Sindicatos de base estaduais. A Secretaria, através do Coletivo, quer romper com a barreira dos modelos de padrão impostos pela sociedade, que só reforçam o racismo e o preconceito”, relatou.

Para o secretário de Juventude, Silvio Ferreira, os membros dos Coletivos são uma amostra da composição da base metalúrgica do Brasil. “Aqui, somos  jovens, mulheres e negros. E para debater o mundo do trabalho, não pode faltar o processo de formação e a discussão sobre a saúde do trabalhador. Por isso, temos tudo para que a atividade termine com planos de ação para fortalecer a luta dos metalúrgicos do país contra o capital”, destacou.

“Unidos alcançaremos o nosso objetivo, que é lutar contra a exploração do trabalhador e da trabalhadora”, completou Ricardo Ferreira, secretário de Saúde.

A vice-presidenta da CNM/CUT, Catia Cheve, sintetizou: “Juntos somos mais fortes”.

(Fonte: Shayane Servilha – Assessoria de Imprensa da CNM/CUT)