imageTerminou na tarde de quinta-feira (7) o terceiro e último módulo do curso de Capacitação de Lideranças Sindicais promovido pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT). Desde quarta-feira (6), metalúrgicos da CUT de todo país estiveram reunidos para debater as novas demandas sociais na conciliação entre trabalho e família. A atividade aconteceu na sede da entidade, em São Bernardo do Campo (SP).

A primeira etapa do curso aconteceu em fevereiro e foi direcionada especialmente para as dirigentes da CNM/CUT e para o Coletivo Nacional de Mulheres da entidade (leia mais aqui). Já no segundo módulo, toda a direção da CNM/CUT debateu paridade de gênero e racismo no mercado do trabalho (leia aqui).

Para a secretária de Mulheres da CNM/CUT, Marli Melo, o curso mostrou que os assuntos de gênero devem ser debatidos entre homens e mulheres do movimento sindical para fortalecer a luta de toda a classe trabalhadora. “Os companheiros precisam entender que é necessário ter uma reformulação na divisão de tarefas e no compartilhamento de responsabilidades dentro de casa. Quando reivindicamos a redução de jornada de trabalho é para que homens e mulheres tenham uma vida familiar de qualidade. E isso só vai acontecer quando a mulher não for obrigada ter a dupla jornada de trabalho”, afirmou.

Há mais de dez anos no movimento sindical, a diretora da CNM/CUT e do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre (RS), Lenira Campos e Silva disse que superou suas expectativas em relação ao curso, já que obteve mudanças em seu trabalho na base. “É uma formação completa para mulheres porque te faz refletir sobre a realidade de todas as outras dirigentes. Aprendemos com as informações das mulheres de outras regiões do país. As discussões são aprendizados que levamos para o nosso dia a dia no chão de fábrica”, disse.

O módulo foi ministrado pela socióloga e doutora em Educação Maysa Garcia, e por Marcia Leite, doutora em sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo Maysa, a principal evolução das lideranças femininas ao longo dos três módulos foi a segurança ao expor suas ideias. “Algumas mulheres eram mais quietas e não se expunham, mas ao término do curso elas estavam seguras ao falar e receptivas às outras falas. Isso demonstra a maturidade e entendimento da proposta do curso”, contou.

Já para Marcia Leite, o curso poderia ter uma participação mais efetiva dos dirigentes homens, já que eles são a maioria no ramo metalúrgico. “Enquanto eles não discutirem o tema, que também afeta a eles, vai ser uma luta mais difícil para toda a classe trabalhadora. Enquanto as responsabilidades domésticas e familiares continuarem sendo assumidas, quase que exclusivamente, pelas mulheres, isso irá impactar diretamente na presença delas no mercado de trabalho. É uma discussão que precisa ter o compromisso de homens e mulheres”, considerou.

Mas se depender do diretor da CNM/CUT e metalúrgicos de Joinville (SC), Rodolfo Ramos, a discussão também será levada para dentro das fábricas. “Principalmente nós, homens, temos que aprender a dividir as tarefas do lar com nossas companheiras para que os dois possam ter mais tempo com a família. Vamos levar este debate ao chão de fábrica porque o trabalhador precisa conciliar suas responsabilidades do trabalho e de casa”, avaliou o dirigente.

Fonte: Shayane Servilha – Assessoria de Imprensa da CNM/CUT