Revendedora de Motos. Foto-Gerson Oliveira 13-07-2012

O Brasil é hoje o sexto maior produtor mundial de motocicletas. Mesmo com a queda no número de licenciamentos registrados pelo Renavam, foram licenciadas 469.581 motos no primeiro semestre de 2016, contra 641.707 unidades apresentadas em 2015, refletindo um recuo de 26,8%, as expectativas para a retomada do segmento são positivas. Não só para a venda de novas unidades, mas, principalmente para o setor de motopeças, na reposição gradual e natural de peças e acessórios para estas motocicletas.

Uma das situações favoráveis para o setor veio no início do mês passado. Após três anos de discussões, as alterações do PPB (Processo Produtivo Básico) para partes e peças de ciclomotores, motonetas, motocicletas, triciclos e quadrículos fabricados na ZFM (Zona Franca de Manaus) foram aprovadas. As mudanças devem atualizar a produção de componentes e devem gerar mais investimentos e empregos ao setor. Os PPBs são etapas obrigatórias da produção para as empresas receberem incentivos fiscais. A Portaria Interministerial 182/2004 estabelecia 86 PPBs distintos para partes e peças do Polo de Duas Rodas que incidem sobre mais de 150 componentes ou insumos. A Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) informou que, a partir da alteração, serão incluídos mais dez novos produtos, bem como três PPBs foram incorporados e 12 incisos da portaria foram transformados em quatro incisos.

Estas alterações são importantes, pois possibilitam maior agregação de valor nos processos de fabricação regional e nacional, aumentando ou passando a exigir mais etapas de industrialização como fundição, estampagem e usinagem. Dessa forma, agrega-se mais valor aos produtos, bem como há a possibilidade de maiores investimentos e geração de emprego na região. Hoje, no total, as fabricantes já geram aproximadamente 16 mil empregos diretos no PIM (Polo Industrial de Manaus).

Vale lembrar que, mesmo antes da aprovação do PPB e ainda enfrentando a forte crise que se estendeu por todos os segmentos da economia, as montadoras instaladas no PIM se organizaram e protagonizaram, ao longo dos últimos 12 meses, investimentos equilibrados e constantes, tanto em lançamentos como em segurança e inovações tecnológicas. Conforme resultado de levantamento feito pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), para o próximo ano, o setor espera o fim da queda do mercado de motocicletas.

No cenário internacional, a renovação do acordo automotivo com a Argentina, até 2020, também tem colaborado, e deve dar mais previsibilidade para as empresas. A alta nas vendas para o mercado argentino é considerável e a expectativa é de que continue assim. A recuperação do mercado argentino tem auxiliado tanto, que as exportações refletiram 31.134 unidades vendidas para los hermanos, entre janeiro e junho: alta de 70,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com 18.241.

Os principais lançamentos, novidades e tendências de mercado estarão à disposição de um público qualificado, uma vez que o evento é restrito aos profissionais do setor e a entrada é franca. Acreditando nesta perspectiva, o evento contará com a participação de novas empresas, muitas delas, inclusive, buscando aproximação com o mercado externo.
É o caso, por exemplo, da Borilli Pneus. “Estamos buscando novos horizontes, por isso também já estamos trabalhando o mercado externo. Neste sentido, acreditamos que o ambiente de negócios com parceiros e visitantes internacionais que participarão da Feira possam gerar bons frutos para a empresa”, comenta Renato Borilli, diretor da Borilli Pneus.

A empresa tem mais de 30 anos de atuação no mercado de pneus, mas há dois anos resolveu investir fortemente no segmento de pneus off Road para motos, tornando-se a primeira empresa no país que fabrica exclusivamente pneus off Road. Mas, não é apenas para fora que a empresa olha. “Entendemos que o Brasil passa por um momento de transição. Criar uma empresa neste cenário não é fácil, mas acreditamos muito no potencial do Brasil. Sabemos que quando o ambiente político e macroeconômico se estabilizar, o país vai voltar ao crescimento. 2017 já deverá ser um ano bom e, em 2018, ninguém nos segura”, entusiasma-se Borilli.

Segundo estimativas da organização, Borilli poderá ter muito o que comemorar, na última edição o público comprador ficou concentrado em (76,86%) da região Sudeste, seguido de (9,49%) da região Nordeste, (8,43%) do Sul, (2,61%) do Centro Oeste e (2,53%) do Norte.

Outro fator que deve movimentar o setor são os lançamentos previstos para este segundo semestre. Cerca de 30 deles são aguardados. Destaque para a BMW que confirmou a produção própria de motos no Brasil em maio deste ano, com meta estimada de produção em mais de 10 mil motocicletas em 2017 para o mercado brasileiro.

A expectativa para o segmento de motos de luxo também é positiva. Nos últimos anos, na contramão do mercado de baixa e média cilindrada, o segmento registrou números positivos, e a mesma performance é esperada para este ano.

E é justamente para auxiliar nesta recuperação e fomentar negócios, que a Anfamoto realiza o 9° Salão Nacional e Internacional das Motopeças. Conhecido como Salão das Motopeças, é a maior feira do segmento, e reúne as principais empresas do setor além do ser o ambiente adequado para a realização de negócios com quem entende de motopeças e acessórios. São mais de 200 marcas representadas por mais de 100 expositores, que apresentarão seus lançamentos, novidades e tendências de mercado, nesta semana, no Expo Center Norte -Pavilhão Amarelo em São Paulo – SP.

Fonte: Jornal do Commercio