Mesmo após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, derrubar parcialmente o decreto de redução de 25% e 35% do Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI), editado por Jair Bolsonaro na calada da noite, é cedo para comemorar.

Houve apenas uma primeira vitória, uma decisão da Suprema Corte, mas nada que possa justificar a classe política e empresarial do Amazonas a baixar a guarda.

“As pessoas precisam ficar atentas sobre a quebra parcial e temporária do Decreto presidencial no Supremo, não é hora de acalmar e deixar os decretos do presidente prejudicar toda a população do Estado”, destaca o presidente do Sindicato dos metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana.

Para o sindicalista o jogo ainda não acabou. O Amazonas só ganhou o primeiro tempo do jogo. A população, políticos, empresários, o governo e as entidades trabalhistas tem que se organizarem, porque os empregos que são gerados aqui, servem para garantir a floresta em pé, as riquezas naturais da Amazônia, a estabilidade econômica e social dos amazonenses e o “jogo só acaba quando termina”.

Ou seja, Santana salienta que os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus (PIM) não podem ser prejudicados por uma decisão estapafúrdia, maldosa do presidente. Hoje a população do estado é responsável pela preservação das reservas naturais sem precisar cortar árvores, invadir terras indígenas e é a ZFM a sustentação de tudo isso. “A Amazônia é nossa, as riquezas do Estado são nossas e, não vamos aceitar que um estrangeiro (Paulo Guedes), que mora nos EUA, destrua o meio de vida do povo do Amazonas”, dispara Valdemir.

Montadoras no Amazonas

Teve um período em que a montadora Mahindra investiu R$ 30 milhões na construção de uma linha de montagem de veículos na Zona Franca de Manaus. Embora fosse uma das maiores empresas da indústria automobilística indiana, a Mahindra não conseguiu repetir o sucesso no Brasil, mais pelo aumento nas alíquotas de importação e a alta do dólar, resolveu deixar o país em 2015.

Mesmo que as montadoras tivessem ficado no Brasil, ainda assim, os metalúrgicos seriam contra, para não prejudicar os postos de trabalho que estas indústrias automobilísticas gerariam no centro sul do Brasil.

Gado no Amazonas

Neste sentido, Valdemir Santana, mostra às outras regiões do país, que o modelo ZFM só fabrica dois produtos da Linha Branca, o restante é feito no Sul. “A nossa logística fica muito cara, nos vivemos em uma ilha, sem estradas, separados do Brasil e é preciso que o presidente, que ainda está no governo, entenda que não dá para criar gado no Amazonas”, pontua.

PPB x ZFMs

O Amazonas teria que trocar o nome Zona Franca de Manaus (ZFM), por outro modelo de industrialização. Conforme disse Valdemir Santana, as outras ZFMs existentes no mundo, não fabricam nada, só importam e distribuem produtos internamente.

A ZFM do Amazonas, fabrica. Para ter incentivo fiscal, tem que passar pelo Processo Produtivo Básico (PPB), só então é liberado a fabricação e a geração dos empregos. Daí a necessidade de combate às medida irresponsável do presidente, que insiste em Zerar o IPI dos concentrados, dos produtos industrializados, que automaticamente desempregam 13 mil famílias e coloca o Estado em situação de desemprego e miséria.

O presidente foi maldoso em querer retirar empregos dos habitantes de Maués, Presidente Figueiredo assim como de Anori, os produtores de guaraná e açúcar para as fábricas da Coca-Cola e da Ambev. De acordo com Santana, o presidente não conhece o Amazonas.

“O atual chefe da Nação deve ter visto o mapa do Amazonas, mas não conhece a realidade do Estado, a sua população e não conhece a capacidade hídrica, a sua importância para irrigar as lavouras no sul do país, ainda assim, decreta o fim do modelo que sustenta as necessidades do Sul do País”, concluiu.

“Precisamos ser enérgicos, exigir respeito à nossa região ou retroceder o Amazonas ao modelo Porto de Lenha, do início do século”, finalizou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos Valdemir Santana

Fonte: Correio da Amazônia