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Imagem: Reprodução

Os grandes veículos de comunicação de massa estão apostando suas fichas no candidato que melhor representa seus interesses. Os setores mais conservadores da sociedade brasileira também já fizeram sua escolha, formataram suas alianças para o segundo turno,  e estão certos de que agora terão o domínio de todas as instâncias políticas para um arranjo mais à direita. O Congresso Nacional, a partir da próxima legislatura, com base em uma leitura atenta do resultado das eleições, tem uma composição majoritariamente direitista. Quem ficará com a maior e melhor fatia dos benefícios econômicos e políticos  a partir de 2015?

E como estão se posicionando os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus? Quantos vão se juntar à onda conservadora que os meios de comunicação proclamam?

Antes de optar por Dilma ou Aécio, temos que fazer uma escolha a partir da análise de dois projetos distintos para o Brasil. E, trazendo para um contexto regional, em nossa escolha deve pesar também o que é melhor para o Amazonas, para o modelo Zona Franca de Manaus.

Desde o fim da ditadura militar, em meados dos anos de 1980, os trabalhadores do Polo Industrial de Manaus tem lutado e resistido contra todas as investidas que tinham por objetivo acabar com os incentivos da Zona Franca de Manaus. A primeira expressiva vitória foi alcançada com a Constituinte que, na atual Carta Magna, assegurou sobrevida ao modelo como fruto das mobilizações de diversos segmentos da sociedade amazonense, especialmente dos trabalhadores, tendo à frente o Sindicato dos Metalúrgicos e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Entre 1990 e 2002, nos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, foram intensas as mobilizações para conter a ânsia de “lobbies” sulistas que atacavam o modelo ZFM por todos os lados. Ainda nesse período, não era só os empregos das indústrias do PIM que estavam ameaçados. A política econômica  daqueles dois governos, claramente sob a bandeira do neoliberalismo, procurava passar por cima dos direitos trabalhistas usando termos como “flexibilização” para, aos poucos, ir retirando direitos já conquistados, além de comprometer a soberania nacional a interesses do capital internacional. Por muitos anos os recursos da saúde, da educação e de outros serviços foram reduzidos e desviados para pagamento de juros da dívida externa.

Os sindicatos, à época, travavam luta sem tréguas contra o desemprego e as demissões em massa. Discutiam, ainda, outras formas de romper as amarras da exclusão social cuja face mais perversa era a miséria e a fome estampadas por toda parte, inclusive pelo Centro da cidade. Da janela do Palácio do Governo se avistavam  favelas  a poucos metros dali.

Esse panorama mudou radicalmente a partir de 2003 como conseqüência de uma projeto para o País que tinha como metas erradicar a fome e fortalecer a cidadania a partir da inclusão de setores  marginalizados e excluídos ao longo de cinco séculos na História do Brasil.

Grande parte dos jovens hoje empregados nas fábricas do PIM não conviveu com as tensões provocadas pelos embates entre os interesses em torno do modelo Zona Franca. A maioria pouco sabe do sofrimento de seus pais e mães, empregados do Distrito Industrial, para garantir seus empregos e ter um salário em condições de sustentar a família numa conjuntura extremamente desfavorável aos trabalhadores. Agora, precisam saber que a mudança que o Brasil realmente precisa ainda está em andamento. O Brasil e o Amazonas mudaram e precisam melhorar muito ainda, é verdade. A cada dia surgem fatos novos e necessidades novas desafiando a todos, governo e sociedade organizada, a dar uma resposta à altura.

Portanto, para escolher o melhor caminho para o futuro é preciso olhar para trás e deixar lá no passado um projeto que se mostrou desastroso ao nosso País e nosso povo.

J. Rosha é jornalista e assessor do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas/CUT