Apesar do faturamento recorde das fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus em 2021, a virada para 2022 foi acompanhada de um número também inédito de demissões. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, 9,6 mil trabalhadores foram dispensados desde dezembro, e a categoria planeja paralisar as maiores fabricantes de eletrônicos para reivindicar estabilidade.

“Ano passado, a Zona Franca de Manaus faturou R$ 160 bilhões, um recorde. Mas não existe fiscalização, seja do governo, da Suframa ou do Ministério Público, sobre os compromissos de emprego associados aos incentivos fiscais. Estamos nos preparando para parar as grandes”, disse ao Convergência Digital, o presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana.

“A empresa que mais demitiu foi a Philco, mais de 1 mil pessoas. Na P&G foram 300; na Samsung, 200. Parte dos demitidos, 2,8 mil, é temporário e não contam com nenhuma proteção. Até grávidas podem ser demitidas. E isso em ano de faturamento recorde. Não tem justificativa”, emenda Santana.

Em que pese o faturamento, as empresas de eletroeletrônicos apontam para um recuo de 7,2% no volume de vendas em comparação com 2020 – movimento puxado pelos aparelhos de TV, que caíram 15,8%, enquanto entre os eletroportáteis o tombo foi de 7%.

“Terminamos ano com 92 mil trabalhadores, com maior faturamento da Zona Franca, mas com essa situação desgraçada das demissões. Há 20 dias paramos a Suzuki, por PLR e alimentação. Foi resolvido. Vamos parar as grandes. Não queremos parar, mas é o único instrumento que o trabalhador possui”, diz o presidente do Sindmetal-AM.

Fonte: Convergência Digital