‘Medo do chicote’ tem assustado trabalhadores da Moto Honda da Amazônia ao extremo. “Vai pegar nada pra mim não né? – Tenho medo!”, diz um trabalhador ao comentar o drama vivido diariamente na unidade Moto Honda Componentes da Amazônia (HCA).

Depois que o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindimetal) resolveu levar a público todas as mazelas praticadas dentro das maiores e mais lucrativas indústrias do Amazonas, os trabalhadores vivem um clima de êxtase e medo.

O temor de perder o emprego na indústria japonesa que opera no Polo Industrial de Manaus (PIM), aumentou no período pós-pandemia. Aumentou também o medo de ficar doente e do ‘chicote’ dos supervisores de produção. O medo de falar dos trabalhadores, aliás, tem sido um dos maiores entraves para que o Sindicato entre com pesadas ações no Ministério Público Federal contra estas indústrias.

 

 

Paralização  

Esta semana, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Valdemir Santana ameaçou parar a fábrica da Moto Honda, no PIM, caso ela não devolvesse o que “surrupiou” do 13º dos trabalhadores.

Valdemir ainda não tinha recebido a denúncia de desvio de função na fábrica de componentes da Honda e nem o que os funcionários vem passando. “Tem funcionário soldando peças há mais de quatro anos e não está classificado como soldador”, comenta.

Chuva de denúncias

Após a divulgação dos problemas ocorridos com trabalhadores dentro da Honda, começaram a chover denúncias de quase todos os setores da fábrica e o que está ocorrendo em outras indústrias no Estado.

“Outro ponto somos coagido pela supervisão não podemos ficar doente ou ir no ambulatório. Tem um colega lá que ficou doente, fazia tempo que sentia dores no peito e como somos coagido pela supervisão e pela chefia ele não ia no ambulatório ou médico, resumindo ele foi na Samel fez exames deu água no pulmão dele e agora querem demitir ele. Não sei nem se já demitiram”, apontou uma denúncia que chegou ao Sindicato.

“Tem muita coisa errada lá, precisamos que o Luiz Carlos (representante do sindicato) vá lá mais vezes, estamos trabalhando no limite”, continuou o trabalhador.

Medo da demissão

O medo da demissão é tão forte, que eles se sujeitam ao extremo. Aceitam serem humilhados, explorados. Até quando vão ao Sindicato expor o seu drama, o trabalhador se cerca de cuidados, quase implorando para não ser identificado.

“O regime de trabalho na fábrica japonesa Moto Honda da Amazônia é de semiescravidão e precisa, urgente de Fiscalização Federal”, comenta Santana.

Trabalhador assustado

“Não quero me identificar pois sei que posso sofrer punição” disse o denunciante. Lá até programador do plano de produção está agindo como chefe as vezes até gritando com a gente da produção. Favor não divulgar meu nome ou número de telefone, não quero ficar desempregado”.

Top-10

É isso o que ocorre na maioria das grandes indústrias, no Amazonas. Na próxima semana, o presidente dos Metalúrgicos, Valdemir Santana, prometeu divulgar as “Top-10”, (as Dez Maiores) que mais exploram trabalhadores no Estado.

Coincidentemente, são as indústrias que mais gozam de benefícios ficais e incentivos dados pelo Governo Federal, Estadual, Municipal, no Brasil. “Tem muita coisa errada que precisa ser corrigida e, estamos decididos a por um fim nesta farra de exploradores sarcásticos”, finaliza Santana.

FONTE: CORREIO DA AMAZÔNIA